Sentimentos Apáticos 2

Posted: 30 de nov de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Sinto muito, mas não sinto nada por vocês.
Que inflamam ser livres ao se aprisionarem em suas vidas medíocres de família alienada,
Que inflamam ser contra instituições e se instituem ao machismo e sexismo cotidiano.
Sinto muito, mas não me faz sentido tal direção.
Talvez vocês me achem arrogante ou pensem que penso ser melhor.
Mas é melhor para eu ser o incógnito que sou.
Talvez vocês me achem irreal por realizar tudo o que proponho.
Isso não é uma simulação! Eu sou o que sou para qualquer pessoa! (Eu sou real!)
Mas talvez vocês pensem que não sou.
Isso porque vocês acham a liberdade uma utopia.
Acham que jamais acharão a essência do que é ser livre.
Acham que é atuação? Vocês pararam na metade da fantasia...

Sinto que não sinto nada mais que desprezo, sem peso, sem ego, sem calor.
Olho através de seus corpos infectados de rebeldia adolescente sem atitude,
Olho e não vejo nada além de falsos esforços por atenção desesperada...
O tempo de popularidade já passou! O tempo de cometer erros já passou!
Se não passou para vocês, para mim... Já.
Não mais há tempo para desperdiçar com perdões,
Não mais há tempo para dedicar a frivolidades de machões ou beberrões.
Desprezo é desprezo. E nem todo desespero é atenção conquistada.

Eu sinto muito, mas nada sinto.
Em tempos passados, pareceria ódio ou raiva, mas nada vale se não se tem alma,
E garanto alma não é algo meu! E para reforçar, pelo menos Eu sou ateu!
Sinto sim, que estou através de tais idéias e ideais...
Se vocês acham que me acho melhor ou superior por isso,
Talvez vocês devam rever o que sentem realmente sobre o que proponho e sinto.

Sinto muito, mas se sua idéia de liberdade é isso...
Não sinto NADA por vocês. E nada é nada...
Nem simpatia, nem antipatia.
Somente apatia.

Segredos Inúteis

Posted: 27 de nov de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Quem tem segredos demais,
Acredita piamente em pecado.
Uma veia furada, maquiagem borrada
Todo sabor amargurado.

Quem tem segredos se esconde demais
De seu próprio reflexo,
Um olhar inseguro e sem direção
O horizonte perde todo o nexo.

Quem tem segredos esconde a vontade,
Escraviza a idéia numa falsa santidade,
Quem tem segredos cria em si insegurança,
Se prende a esperança de uma falsa realidade.
Quem tem segredos deve a si a lembrança de verdade.

Quente Primavera De Enlouquecer

Posted: 25 de nov de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Mesmo em primavera de guerra urbana,
Asfalto sempre há lugar para fender,
Germinando mais flor insana.

Uma Idéia

Posted: 21 de nov de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Eu posso dizer que vivi quando chegar minha hora,
Eu não neguei meu ego por fúteis subornos.
Eu posso sentir que a vida foi o melhor agora,
Eu não provei todos os sabores mas usei todos os adornos.

Uma idéia é mais do que carne e ossos,
É resistente a dor e à tortura.
É imortal e afronta a todos os esforços.
É insistente como é a loucura.

Uma revolução é mais do que uma explosão,
É mais do que expressão de ódio.
É tão simples como o respirar em sua razão,
É a simplicidade complexa e essencial do sódio.

Uma idéia é mais do que carne e ossos,
É resistente a dor e à tortura.
É imortal e afronta a todos os esforços.
É insistente como é a loucura.

Eu posso dizer que arrisquei mesmo sob aviso,
Eu não deixei de sair de casa por medo.
Eu posso sentir que reinventei meu próprio juízo,
E não tive que levantar nenhum dedo...


Mariposas Pálidas

Posted: 20 de nov de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Havia uma luz ao fim do túnel que nos guiava a saída,
Havia um sonho de amanhã para nossa existência...
Havia a possibilidade de se viver mais de uma vida,
Mas essa realidade não é de nossa essência.

Havia tanta energia em nosso vôo sem destino,
Mas nos apegamos a um reflexo de libertação.
Havia a possibilidade de se crer além do divino,
Mas essa realidade não é nossa razão.

Caindo em círculos... A vida foi curta!
Não curtimos o que poderíamos...
Caindo em pedras... Queda bruta!
Não quebramos o que deveríamos.

Ao Meio

Posted: 19 de nov de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Você quis ficar no meio,
No meio da vontade...
Você teve o fatal receio,
De permanecer em liberdade.

O mundo é pequeno demais para as idéias de expansão.
Era só imaginar uma realidade onde tudo é possível.
Você foi passivo ao aceitar o que dizia a televisão!
Você cobriu a visão para a razão de crer no invisível.

Você parou ao meio da liberdade,
Aceitou a social ilusão de evolução.
Você parou ao meio da liberdade,
Cristalizou a vontade de expansão
Você parou ao meio, no meio da verdade.
Verdade ao meio é mentira sem receio...

O mundo é grande demais para se andar fisicamente,
Mas sempre é bom tentar conhecer novos horizontes.
Você estacionou a idéia na liberdade estática incoerente,
Você decidiu criar raízes, e nós fomos andar por vales e montes.

Você quis ficar no meio,
No meio da vontade...
Você teve o fatal receio,
De permanecer em liberdade.

Você quis ficar no meio,
No meio de uma prisão...
Você nunca foi nem veio,
Não há metade de escravidão.

Vôo Perfeito

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Um pássaro sozinho na copa da árvore seca...
Espera o crepúsculo de um novo conceito,
Para voar numa liberdade mais fresca.

Conluio Nosso

Posted: 18 de nov de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Conluio nosso que estais no mundo,
Unificado seja o nosso nome,
Vem a nós sem nenhum reino,
Seja feita a nossa vontade
Assim na terra como no céu.

O recicle do dia nos daí hoje,
Sem perdões e sem ofensas,
Assim como não perdoamos
A quem nos tem ofendido,
Não nos deixei cair em tentação
De pensar que pensamos algo mal.

O que vai, vem.

Estamos Esperando

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A segunda-feira chegou mais rápido do que imagina,
Sempre se quer mais tempo pata não se fazer nada.
Sempre há o que fazer quando não se crê em alma divina,
Mais um dia, mais uma chance de atividade morgada.

A terça-feira chegou mais cinza que o céu da cidade,
E pensávamos que ontem fora um dia, um dia ruim...
A vida sempre parecerá na metade do meio da metade,
Mais um dia para fazer algo antes do fim...

Refrão:
Estamos, estamos esperando um dia melhor...
Estamos esperando uma mudança.
Estamos, estamos esperando algo bem maior...
Estamos esperando a esperança.
Mas quem demais espera logo cansa e não deixa lembrança...
Quem espera logo, logo cansa.

A quarta-feira parece o meio do fim dos esforços,
Cada passo passa pesado em toneladas existenciais.
O passado de uma semana traz mais e mais remorsos,
Mais um dia de destroços, mais e mais sorrisos artificiais.

(Refrão)

A quinta-feira anuncia a confirmação depois do meio,
Mas ainda falta muito quando se está na prisão...
A sexta-feira denuncia a insatisfação que logo veio,
Para perceber mais um dia sem propósito ou razão.

O sábado é tão vazio quanto o resto da semana,
Falsos encontros, sorrisos baratos, bebidas vulgares.
O domingo é mais tedioso fronte essa TV insana!
Mais uma semana de vazio e solidão... Em todos os lugares...
Mais uma semana de vazio e solidão... Em todos os lugares...

(Refrão)

1ª Pessoa

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Eu não vou reclamar se foi muito rápido ou devagar,
Eu conheço o ponto que te faz enlouquecer.
Eu sei como fazer prazer, sei como te agradar...
Eu sempre quero me conhecer... Me conhecer!

Eu estarei aqui pela manhã, tarde ou pela noite.
Eu posso consolar em qualquer tempo ou estação.
Eu posso ser usado como aconchego ou açoite,
Eu sempre quero sentir minha emoção!

Refrão:
Autoconhecimento corpo e mente,
Auto-relacionamento sem brigas ou violência.
Total entendimento do que se sente,
Sem culpa, sem pecado ou penitência.
Auto-prazer a qualquer momento da existência.

Eu posso sentir prazer a qualquer idade,
Eu me completo mais do que qualquer alguém.
Eu posso amar outros, mas meu eu tem mais verdade.
Eu sempre quero me sentir bem... Me sentir bem!

Eu vou chegar ao extremo na busca por meu prazer,
Eu só levo a imaginação nessa bagagem...
Eu não posso ser mais do que não posso fazer,
Eu não sei o que é pecado ou sacanagem...

(Refrão)

Eu sou eu, e eu me conheço...
Eu não tenho vergonha ou orgulho...
Eu sou meu, sempre me reconheço...
Eu sou o que desejo silêncio ou barulho...

(Refrão)

Veneno

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Se a infecção comeu, você quem provocou
Tanta dor por suas mãos o veneno se alastrou...
Não há cura para mente que paralisou.
Tanta ganância para si. Você nos afastou!

A vida perdeu o sentido, é só você que sente
Tanto orgulho ressentido transbordado de tua mente,
Não passa de entulho, nem serve pra reciclagem,
A vida é mais do que só uma velha engrenagem.

Refrão:
Sinto fluir dos lábios
O doce veneno...
Ao redor o mundo parece tão pequeno.
Tão ingênuo você acreditou em falsos sábios
Sem cura desse veneno...
E com próprio veneno, é você que vai morrendo.

Tanta falácia berrada em clara e alta voz,
Para demonstrar falso comportamento de feroz...
Não há cura se você procurou ficar doente,
É só você que sente o que diz que sente dentro da sua mente.

(Refrão)

Mais um gole de veneno, e que seja no teu corpo,
Você é quem quer virar estrela e chegar ao topo.
Mais um gole de veneno, e se isso te matar...
Isso me bastará!


Representante Literal

Posted: 17 de nov de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Olavo sempre quis dar uma de rebelde, mesmo se dizendo anarquista ou punk. Até aí, tudo coerente. A confusão era porque ele deixava pra ser rebeldinho e expor sua revolta de jovem mimado somente nos eventos organizados por seus próprios “companheiros” libertários. Ao que parece, ele leu algo sobre representar o macho alfa.

Teu Passado Representa

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Mentol sumiu da face e da nuca da terra por longo tempo, afinal, a vidinha de família feliz era mais confortável do que pensar em liberdade. Recentemente Mentol tentou se readaptar as manifestações dos antigos conhecidos. O problema e que nenhum do seu passado o reconhecia como algo ativo, por assim dizer. Por isso Mentol enchia a cara de álcool para tentar relembrar o inútil etílico que sempre foi.

Famintos Depois Da Seca

Posted: 16 de nov de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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De más intenções o mundo está cheio,
E quando paramos pra pensar, isso vem do vizinho.
O gramado ao lado tem que ser mais feio...
Temos mais é que envenenar o vulgar vinho.

Por mais que tentemos, a decadência é constante,
As falsas aparências mais cedo ou mais tarde
Acabam por se arruinarem ao passar instante,
Não mais simpatia por nenhum defunto ou covarde.

Por mais sementes que tenham sido plantadas,
As ervas daninhas consumiram o alimento dos hiantes.
Na colheita de memórias empoeiradas,
De apatia se fez a constante inoperância dos infantes.

Testes de insignificância... Quanta evolução!
Atividades de irrelevância... Que excitação!
Que vivam sua discrepância longe, bem longe então.
Essa é NOSSA revolução!

Amargo Novembro

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Se não fosse o fel
De pragas que lembro,
Teria sido dançar no céu.





"Lembrai, lembrai, o quatorze de novembro
A música, a traição e o ardil;
Por isso não vejo como esquecer;
Uma traição de inoperância tão vil"

Zumbis Dançam Por Atenção

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Sinto como se estivesse num filme,
Os zumbis acordaram e querem nos comer...
Mortos que passaram para o outro lado,
Zumbis que caem pelos cantos, babando inoperância.

Sinto como se estivesse num filme,
Mortos sentindo-se livres e se passando por nós,
Prontos a qualquer momento a devorar nossos planos.
Zumbis que pulam as escadas, exalando discrepância.

Sinto como se estivesse num pesadelo,
E os vilões são antigos vestígios de fantasmas pálidos.
Prontos a se embriagarem se fingirem de insanos...
Cálidos por atenção numa encenação de volta a infância.

Os zumbis desejam a vida que tiveram um dia...
Os mortos querem a liberdade que não tem.
Os zumbis sonham sugar nossa vontade e energia,
Os mortos nos querem mortos também.
Os mortos nos querem mortos também.

Crimes Passados

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Quantas vezes,
O mesmo erro,
Repetidamente,
Passa a ser,
Crime premeditado?

Cansamos de dar chances de redenção.
E olhe que é coisa de crente isso de Salvação,
E se há algo que não mais cremos
É na possibilidade de humana reabilitação.

A violência só resolverá algo entre fascistas,
Na escolinha de fascistas de filosofia familiar...
E violência só demonstra a incapacidade de pensar.
Sangue e dor, não queremos como conquista.

Quantas vezes,
O mesmo erro,
Repetidamente,
Passa a ser,
Crime premeditado?

Quantas vezes o mesmo berro incoerente para ser execrado?
Quantas vezes a mesma ação para não causar reação no passado?
Quantas vezes o mesmo erro para nos mostrar que não há inocente a ser sacrificado...
É só deixar no passado... No passado passado.

Nosofobia

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Há essa doença de inatividade que vai consumindo e gangrenando a consciência libertária...
Há esses doentes que tentam contagiar com sua inoperância e violência contrária...
Há essa doença que só terá cura quando pensar realmente for a Atividade Diária.

Escolha De Cumulonimbus

Posted: 15 de nov de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Eu lembro bem quando buscávamos formas nas nuvens,
Eram tempos de ativa imaginação...
Hoje é você que traz as nuvens negras...

O tempo passou...
E foi você que escolheu ficar na tempestade.
Agora o barco já se foi, e nele todos nós.
Que sonhávamos ser piratas do novo mundo.
E foi você que escolheu ficar na tempestade.
Você escolheu derreter na chuva...

Desejo Do Hoje (Aos Amigos De Conluio)

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Queria hoje poder tocar os dedos,
Para sentir nos meus dedos a companhia...
Queria hoje poder passar da minha boca aos ouvidos
As ideias de liberdade de nossas contradições...

Queria hoje poder estar ao lado,
Mesmo que fosse fora da porta contrária.
Queria hoje poder dividir a última gota de saliva,
Com as imbricações de nossas revoluções cotidianas.

Queria hoje poder sentir a corporação,
Mesmo que ficássemos todos calados
Queria hoje poder dividir,
O vinho vulgar,
Na penumbra,
No incógnito
Conluio...
Queria hoje que nossas ideias estivessem juntas na rua...

Defesas Amigáveis

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O rancor salva,
Das prováveis
ReTraições.

Quarto Vazio (Ou Cheio)

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O quarto está cheio de asas coloridas,
Asas de um passado insólito de fadas.
Fadado ao esquecimento vazio e apático,
Amor fanático que a lua fez derreter.

O quarto está vazio como o vácuo social...
Sem mais cinismos de amizades infantis.
O quarto está cheio da poeira temporal...
Sem mais lembranças de egoísmos senis!

O quarto está cheio de tentativas cegas,
Papeis de poesias de putarias embriagadas.
Como só juventude pode suportar calada,
Poesias de vergonhas sorridas, disfarçadas.

O quarto está vazio, mas ao fim final,
Não ser social é uma defesa... Sentimental.



Sorriso Diário - Verborréia Vol.3 - CD de Lux Alt (Crítica Por Anita E.)

Posted: 14 de nov de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Depois de sublevar o velho conceito de áudio-poesia com o ótimo debut do Verborréia em 2009, o multifacetado e genial poeta Lucas Altamar volta mais uma vez - e cada vez melhor - com o terceiro disco deixando a idéia de volume um pouco de lado e dando mais ênfase a idéia geral dum disco temático. De uma arte interessantíssima. Desde as capas para internet até as imagens incorporadas as músicas, Lucas não deixou faltar nenhum detalhe. Impressionantemente bem trampado para um só!

Sorriso Diário é um álbum sem firulas: Logo no título, nota-se que a proposta do disco tem como base a realidade da atuação cotidiana de se conviver em sociedade. E mais do que nunca no Faça Você Mesmo. Notoriamente com uma sonoridade bem mais eletrônica o álbum é um verdadeiro sorriso não de plástico, mas de preciosidades: O show começa com uma introdução ao som de “Hienas”, que logo pula para “Quanto Vale A Vida?” com o mesmo fundo da introdução... Um ritmo rodeado de leve por uma espécie de darktronic mais pop, envolvente e alegre, seguida por talvez a faixa mais vibrante, fabricada para ser mandada direto para a pista “Massacre Das Más Memórias” tem batidas que fazem você suar... Uma pena ser tão curta.

Miss Justiça”, tem um início estranho, com som de facas, ou espadas sendo afiadas... Não entendi bem a intenção dele ao por isso aqui, mas é uma ótima música de uma poesia sagaz e que nos traz o realista frescor das novas influencias eletrônicas do autor.

Sonial” é um haikai que foi cantado. Um efeito que a meu ver deu bastante certo. A música deixa a desejar por sua repetitividade. Mas que é bem diferente do resto do disco. O mesmo serve para seguinte faixa. “O Que Equivaler Adiante?” Soa como um cartão de dia dos namorados com aquelas músicas pré-fabricadas monofônicas e uma fragrância agridoce de desistência de relacionamento. Muito gostosa e simples.

Outro haikai nos é apresentado em Fiúza, com uma música totalmente experimental, que parece usar de elemento de ska, eletroniquices simples e escalas de guitarra. Quando um chocalho aparece nas batidas dá pra imaginar um monte de vários instrumentos a serem degustados. Isso sem falar na pegada da poesia criticando a submissão da fé.

Com uma aura mais agressiva e mais latente, Lux nos apresenta a faixa título do álbum, “Sorriso Diário” tem uma poesia sincera que é cuspida a nossa face. Dançante até os últimos agudos e que se desenrola com seus hipnóticos e densos sintetizadores. Mas é “Carniça” que leva o título de grande poesia do disco justamente por criticar a constante tentativa de ditos poetas quererem categorizar a perspectiva do que é poesia, com um pop dançante e confortante, e que chega a dar um brilho nos olhos. Daria pra imaginar Lucas tocando violino se não soubéssemos que são sintéticos. A bateria em forma de marcha deixou a faixa belíssima.

A neo melancólica da faixa “Debaixo Da Ponte” nos faz sentir um por do sol solitário ouvindo uma vitrola esperando uma explosão apocalíptica. A sonoridade de “A Fábrica De Ossos” gira em torno de uma espécie de new age ou chillout rock misturado com pianos doces, sintetizadores bem suaves e uma pegada meio folk. A faixa que segue “Morte Natural”, tem uma linha de baixo pulsante enroscada em um sintetizador cardíaco que permeia por toda a música que tem um tom pegajoso. Porém majestosa faixa e poesia: “Finalmente ao contrário da natureza, só morre o que é mortal.” – simplesmente demais! A mesma pegada chillout faz a aura da gente se conectar com o disco.

“Esta É Sua Vida + Reprise” é uma eletrônica ácida, com toques de classicismo rock... A poesia ou as poesias em alguns momentos flutuam fora da linha, mas a repetição do titulo da musica encaixou perfeitamente. O piano dá o tom de linha vital ao emaranhado de sintetizadores propostos. Uma boa faixa, mas que não inova nem diferencia em nada do resto do disco.
Não entendi bem o motivo pelo qual Lux recitou “Suicidio Natural” em inglês, mas ficou com uma nuança interessante de interlúdio essa faixa. Assemelhando-se a introdução em alguns pontos.

“Egoísmo (Melhor Auto-Ajuda)” é um alto a começar por seu título. Os sintetizadores parecem brinquedos nas mãos do autor. E a guitarra parece ser dedilhada com sagacidade. O ressoar da bateria com os pianos também agrada os ouvidos. A faixa não faz dançar, faz balançar. E quando a voz distorcida de Lux recita, é como se nos acordasse desse balanço simples.

“Humana Coifa” começa com o arranhar de uma agulha num disco. E traz o efeito de ser uma música antiga de vinil, efeito que foi usado em outras faixas, mas que nessa ganha maior destaque. Os violinos ganham a música. A poesia combina perfeitamente com a tonalidade de ascensão melancólica da composição. E a faixa termina abruptamente com o arranhar da agulha novamente no vinil assim pulando imediatamente para outra faixa parecida um interlúdio. A singela “Bons Tempos Imemoráveis” faz sentirmos um vazio agradável.

“Desabafos Medíocres” é uma outra poesia de crítica a métrica poética. Que se inicia com o som de datilografia, como Lucas comentou, futuramente talvez nem reconheçam esse som. Mas eu conheço muito bem e o adoro. O som do mar ao fundo da faixa nos dá a sensação de escritores numa praia registrando suas biografias em término de vida. Linda!

“Sopros Sugados” tem um tom de fim de ano devido aos sintetizadores e/ou órgão, mas é uma das melodias que mais bem encaixou com a poesia recitada. E mais uma faixa que faz balançar.

“O Desespero De Esperar” é a cartada final na utilização de sintetizadores e provavelmente a mais explicitamente eletrônica das faixas. Que faz você sentir-se numa montanha russa auditiva. Longa como uma ultima faixa deve ser. E com uma pitada de humor final. Ótima finalização!

Não acreditei quando vim notar que o álbum tem quase oitenta minutos. Simplesmente voou e eu juntamente com as ondas sonoras. Muito agradável o trabalho. Mais sóbrio que o volume anterior do Verborréia, mesmo com a recomendação “de preferencialmente não ouvir sóbria”, consumi de um gole só esse disco! Uma overdose libertária em musica eletrônica. E simplesmente não se pode mais intitular áudio-poesia. Agora é áudio + poesia. Quem ouvir o álbum deve estar disposto a abrir a mente e os ouvidos aos mais simples detalhes. Ficou tudo muito bem elaborado e rico. Mais uma vez Lux Alt, parabéns! Quando teremos o próximo? Na próxima estação? Abraços amigo!

Anita E.
Jornalist@