Sala Meio Vazia

Posted: 30 de out de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Se aquela sala estava vazia,
A fantasia da televisão deu uma visão de companhia.
Se alguma idéia de paz estava guardada,
A notícia não foi das que ninguém queria.
Dizem que ainda há tempo para mudar algo...
Eu concordo... Mudamos para pior...
A cada momento, a cada mudada de canal,
Os canais mentais se quebram e o sono é sintonizado.

Se alguma realidade havia além da tela,
Não era importante para audiência humana.
Se alguma liberdade havia além da cela,
Não era relevante à demência insana.

O sorriso diário do noticiário faz você de otário que acredita em tudo dito...
Todo ditado ao contrario ainda é ditado,
E a ditadura da mídia anestesia tua mente e teu corpo
Ao constante coma de ser um ser sem essência.

Se alguma realidade havia além da tela,
Não era importante para audiência humana.
Se alguma liberdade havia além da cela,
Não era relevante à demência insana.

Se aquela sala estava vazia, a televisão faz companhia
Para a sensorial percepção da solidão social.
Se alguém achava que havia loucura,
Quem lucra com a fantasia da mídia diz ter cura
Para sua mais frívola vontade.
Se havia alguma relevância na realidade,
Acabou a ânsia com a chegada de mais um programa de atualidades e cultura.

Se alguma realidade havia além da tela,
Não era importante para audiência humana.
Se alguma liberdade havia além da cela,
Não era relevante à demência insana.

Aquele Momento De Paridade

Posted: 24 de out de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Foi um momento único, 
Quando dividimos a idéia
De incognibilidade,
Foi um sentimento mútuo
De completa euforia
Da identidade...
Foi um pensamento súbito
Que atravessou a idéia
E cruzou a liberdade.

Acidentes Contra Gravidade

Posted: 23 de out de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Acidentes acontecem, sempre repetem...
Mas que acidente se repete perante a probabilidade?

A gravidade agradece quando há vácuo...
Mas que vazio tem caos suficiente pra liberdade?

Acidentes não existem, só a mera ilusão...
Grotescas dobradiças nas portas do pensamento.

A gravidade impõe a certeza da incompreensão,
Mas qual a gravidade de não se ter entendimento?

Passamos por muros de concreto,
Destruímos barreiras em nossas mentes.
Mas o coração aperta com a guerra tão, tão perto...
Não mais sabemos quem são os inocentes...
Não mais sabem o que é errado ou certo.

Haikai Origami

Posted: 22 de out de 2010 by Lux Alt in Marcadores: ,
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Se os barcos fossem de papel,
Não haveria baleeiros,
Nem sangue ao léu.

Sonho Sangue

Posted: 21 de out de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , ,
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Era um sonho escarlate,
E o sangue impessoal.
Em toda parte!
Qualquer animal...

Era um sonho de liberdade,
Sem dor, sem violência.
A paz da realidade,
Sem clemência.

Era um sonho rubro,
Tão puro quanto óleo.
Sonho de outubro,
Tão dispendioso quanto petróleo.

Areia Da Realidade

Posted: 20 de out de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , ,
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Estão despejando areia por suas bocas imundas...
Num deserto sem fim e sem compreensão.
Na imensidão a devastação proclama paz...
Não mais resquícios do que era razão.
Não mais resquícios...

Estão esgotando a essência da vontade própria,
Deixando que pensem e escolham por si,
Mesmo a balança pendendo trêmula,
Ainda temos a gravidade a considerar...
Ainda temos a gravidade...

Sem mais amanhã, a areia foi derramada...
Sem mais paraíso ou maçã...
Sem mais alma maculada.
A realidade foi comprada e a vida sem ela é vã.

Certeza Especista

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Quanto mais
Dores puderem fingir,
Quanto mais
Dores puderem causar,
Quanto mais
Seres puderem escravizar,
Quanto mais
Vidas puderem consumir...
Mais certeza terão,
Que mais humanos são.

Quebrado & Queimado 2

Posted: 19 de out de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , ,
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O Sol fez queimar a minha identidade,
Eu não mais sei que sou sem a luz...
O Sol deixou em cinzas minha sanidade,
E o resto de resto nada faz e nada seduz.

O Sol olhou dentro dos olhos marejados,
Eu não pude piscar a percepção...
E deixou na escuridão beijos desejados,
O que realizamos foi o eclipse da paixão.

O Sol se foi além das nuvens do firmamento,
Os raios de proteção foram despejados...
O Sol queimou todo real sentimento.

Santa Pureza Humana

Posted: 18 de out de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Há pessoas puras no mundo,
Pois são pessoas vácuas.
Debaixo do véu,
Só abismos e máculas.

A Liberdade Que Buscamos

Posted: 17 de out de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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A liberdade que caçamos tem se aprisionado em algemas de cotidianos familiares,
Tem se depreciado ao ponto de achar vaidade um pecado... Tem acreditado em pecado.
A liberdade que buscamos está aí livre e nós não conseguimos apreender em nossos corações. Nossa mente esqueceu como é ter a vontade!
A liberdade que buscamos foi só uma idéia vaga de uma vontade rebelde e pueril de juventude...
A liberdade não está sendo buscada adequadamente...
E tanto se repete falando de libertação, enquanto nos aprisionamos a pessoas, a lugares, a falsos deveres, a falsos conceitos, a conceitos alheios...
A liberdade que buscamos está logo ali...
E é o gramado do vizinho que está sempre mais verde... É a vida mais simples ou complexa do outro...
A liberdade que buscamos é sempre mais bela nos outros, pois nos endividamos demais com nossas ridículas responsabilidades de subsistência e não mais há como fertilizar nosso jardim.
Ver o outro livre, sempre parece mais livre.
A liberdade que buscamos é a errada, pois a liberdade não se busca.
Não pode ser aprisionada, não pode ser vendida, ou negociada. A liberdade real, simplesmente é uma questão de ser, não de estar.


E então, você achou a liberdade? Em si?

Olho Do Caos

Posted: 16 de out de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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De mãos vazias os olhos
Reconhecem a loucura.
E comem ossos podres...
Que nem uma hiena seria capaz...
Afinal a capacidade de comer
Algo que não se carece é só humana.

De olhos arregalados o sangue simplesmente
Reflete o desejo de limpar as mãos impuras.
Não mais mentes maduras ou semente,
Não mais candura em nenhuma inocência...

A mão da loucura só tapa os olhos
De quem é realmente cego...
Os olhos da sanidade estão
Somente queimados com o sal do mar...
Amanhã se for eclipse, talvez,
Possa ver alguma coisa além
Do próprio interior redundante.

Máscaras De Máscaras

Posted: 15 de out de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Quando a máscara caiu,
Não deu pra acreditar
Que a expressão abaixo
Era mais inexpressiva que a máscara.

Quando a realidade
De se fazer uma encenação
Na vida real passou a ser a realidade,
A lembrança de antes ficou grudada ao verso da máscara.

E saber que nenhuma
Poesia foi dita com sinceridade,
Faz-se imaginar que máscara
Não refletiria comédia com um sorriso tão falso...

Quando a mascara caiu,
A queda não foi só contra a gravidade...
O mais grave dos erros foi deixar-se ver
Além dos sentidos visuais

Além das máscaras se escondiam os medos
De ser e estar com tantos humanos
Igualmente caracterizados para o baile da falsidade.
Além das máscaras... Só estavam mais máscaras reais.

Desistência Insistente

Posted: 14 de out de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , ,
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Você tem procurado respostas do além,
Quando sabe que não fez pergunta a ninguém...
Você tem tentado construir uma salvação,
Ao custo de se reprimir a qualquer ação/emoção.

Você tem olhado ao redor desejando o mal,
Mesmo sabendo que não há mal ou pecado original.
Você tem jurado amor incondicional ao semelhante,
E não há semelhança nenhuma a não ser no ódio constante.

A cada instante você se enche do vazio de ser crente...
A cada passo, você reconhece que não há humano inocente...
A cada vida, você tem mais certeza que só há essa existência
A cada passo, você ganha ou perde um pouco mais de consciência.
A cada passo... Aumenta a vontade de desistência.

 

Deitar Ao Chão

Posted: 13 de out de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , ,
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Deitar ao chão, antes parecia confortável.
Hoje em dia somente insinua sujeira
De suas humanas pegadas.

Caderno Do Alzheimer

Posted: 11 de out de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , ,
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Às vezes as memórias pesam
Como se não pudessem ser criadas novas lembranças,
E apesar de sempre dizerem
Que a vida não dá um fardo mais pesado do que podemos carregar,
O Alzheimer está demorado demais a chegar.

Às vezes as memórias esvaziam,
A angústia de se ter vivido em um mundo de ilusões,
E apesar de sentir a realidade
Como a inimiga do paradoxo ébrio da ressaca de se viver,
O Alzheimer ainda pode salvar do ódio de não ter vivido o ontem.

Às vezes as memórias simplesmente se vão... Com o Alzheimer...

Por Onde Andamos

Posted: 10 de out de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Pisamos e andamos
No mesmo vasto solo,
A despeito de minhas meias
Sempre estarem mais sujas,
Eu posso dizer que vivi mais
E conheci mais da Terra!

Vazio Compartilhado

Posted: 9 de out de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , ,
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Tenho sonhado mais com gente estranha,
Do que com os simpatizantes conhecidos.
E já não sei se isso é algo realmente ruim...
Ao fim, os ditos companheiros te deixam no vazio.

Tenho andado em círculos de flama sem fim,
E ao retornar ao ponto inicial, termino seco...
Não mais há quem ofereça o subsídio da água,
Mesmo contaminada, o poço só repetiu o eco... Eco... Eco...

Vazio, de um vazio vago e oco como todo ser social pode ser.

Ooh Yeah!

Posted: 7 de out de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Por lugares vazios as expressões são impessoais
Nem um nem outro espectro de vontade.
Por tantos caminhos, os tornados sopram,
E o sentido giratório só faz andar a metade.

Por mais que o tempo queria massacrar,
Sempre haverá o tempo passado a considerar.
Por mais que se importe com o conforto alheio,
É mais importante o conforto pessoal...
E saber que há desconforto com seu prazer...
Melhor pra quem não sente nada.
Que o prazer seja somente pessoal.  
Tão seu quanto meu afinal.



Outra Saída

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Deixe-me conduzir-te...

Deixe-me conduzir-te pelos caminhos da lua vespertina.
Tornando todos os paradigmas em estrelas púrpuras sem limite.
Sempre ao lado. Oposto. Sem segredos. Sentidos. Emoções.
Sentimentos omitidos até o ultimo suspiro de um espermatozóide.

Deixe-me ser tua sombra e teu reflexo neste instante perene.
E dele virar gosma escarrada pelo ventre de um único prazer.
Sendo uma gotícula de lampejo miraculosamente compassivo.
Todo o tempo à busca inicia-se ao momento da percepção real.

As mentiras denotam tão pouco quando o relógio marca 19:30
Não apareceu ninguém para a ceia. Só porque era mente de entrada?
E não adianta dar desculpas de prazeres induzidos!
Sei que estava em outra cama... Ou em qualquer banheiro
Aconteceu o mesmo comigo. Bebi vodka demais e minha cabeça arde antes do amanhã.
Agora perdi o apetite.

Quebrado Na Sombra Ou Sombra Quebrada

Posted: 6 de out de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , ,
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Dêem-me uma razão para tentar novamente
Tentar ser uma lágrima num prato de comida sujo
Mofada ou que ainda será plantada.
Ao raiar do sol que não aparece mais
Tentar beijar a vela da flama demente
Para lacrar os lábios com o sentimento do agora – desprezo.
Que terá sido esgotado como o cigarro úmido.
Tentar ver...
Mas a luz apagou e a sombra me inundou.