Simbiose De Certezas

Posted: 29 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , , ,
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Há um bicho de sete cabeças
Na minha sanidade
Chamado liberdade.

Assintomática Dor

Posted: 27 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , ,
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Ainda que sozinho peregrine em caminhos cruzados,
As encruzilhadas não serão tão densas
Quanto as cruzes de seus repugnantes julgamentos de vida livre.

Ainda que sozinho beije meus espelhos quebrados,
As quebras que consegui de conceitos,
Serão mais importantes do que qualquer maquiagem social.

Ainda que sozinho grite contra opressão e fascismo,
Nenhuma grade de fanatismo prenderá a mente,
Ainda que sozinho seja,
Sozinho livre tentarei ser.
Enquanto ainda puder caminhar a mente ao abismo infinito da liberdade.

Quedas... Quedas Alheias

Posted: 25 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , , , ,
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Deixemos tudo cair ao redor,
Que tudo faleça em falência múltipla de falhas falaciosas.
Enquanto nos divertimos em falos,
Em coxões fofos mesmo que imaginários ou imaginativos.

Deixemos todos explodirem
Em culpa de inoperância
Enquanto a ânsia de viver nos faz reagir
A qualquer mínimo e minucioso estímulo.

 
Não deixemos extinguir a essência de desobediência
Dos padrões senis dessa sociedade saturada em insanidades vãs.
De promiscuidades capitalistas de capitanias despontadas,
De patrões perniciosos da insensibilidade deportada.

Deixemos tudo e a todos se esfarelarem
Com flores plásticas de eternidade humana
Enquanto nos perfumamos com as pétalas dos jardins mortais.
Afinal, na pior das hipóteses,
Podemos sentir que sentimos algo mais do que medo de ser.

Ressecando O Jardim Do Delírio

Posted: 21 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , ,
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Para eles não satisfez dizerem
Que era interdito comer a maçã
Dentre outras frutas visivelmente deleitosas.

Tinham que corroborar
Que mesmo acabando com o pomar,
Nada de mal sucederia a vossa pureza sã.

Ao invés de execrados serem dali,
Tornaram-se parte do jardim.
Sabendo que para quem vive além deles,
Não há vida a ser considerada pecaminosa.

É O Que Parece!

Posted: 20 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , ,
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Não olhando os defeitos,
Bela pintura carece
De bela carcaça.

Única Espécie Que Não Faria Falta A Terra

Posted: 19 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , ,
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Dizem-me: O pessimismo nunca ganhou nenhuma batalha...
Mas se tornou a realidade intrínseca além de muralhas.
Hoje nenhuma paz é feita sem nome de guerra.
Nenhum pijama tem estampa que não de mortalha.
Saiba... Não há lugar seguro enquanto se tiver o humano na terra.


Tortuoso Passo

Posted: 18 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , , ,
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Olhando o caminho que parece tão tortuoso,
A sobriedade torna ébria a realidade
Da odisséia que nunca fora dita.
E o que a ditadura pintou de sangue
Fez a fé em justiça se justificar em poder.
Com sangue ou com escravidão,
Sempre se dirá a verdade.
Mesmo que ela não exista.
Mesmo que todos caiam,
Mesmo que a casa caia.
A cal ainda será um alívio nos olhos mais inocentes.
O sal será alívio nas vaginas e anus mais massacrados.

Olhando o caminho que parece mais breve,
A visão escurece ao perceber que não se saiu do lugar,
A tortura continua, em seu prato.

Sincero Apático

Posted: 17 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , ,
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Quando você odeia a mim,
Tens sentimentos.
Nada tenho por ti.

Honra Ao Mérito

Posted: 16 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , ,
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Quando a guerra chegar à porta, diga que não está em casa,
Afinal não é sua paz que está em jogo de estratégia capital...
O bom soldado nunca será recompensado lutando pela paz
O bom soldado, nunca mais será visto pela família a não ser no funeral.
Sem baixas uma guerra não estará findada.
OK? 
Ok?
Ok?
0 kills...?

Sem honras sem méritos.
Sem medalhas pomposas...
Tiros ao céu!

Quando Me Revisitar

Posted: 15 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Quando a vida
For deixada de lado
Por todas as estações,

Olhe para os céus
E peça um prédio
No centro da cidade

Porque os aviões
Continuam caindo,
Mas não no centro...

Porque os furacões
Continuam atingindo,
Mas não no centro...

Olhe para mim e veja
Do que eu preciso...
Olhe para mim...
E me veja por dentro.

Olhe para mim e além
No hipocentro...
Olhe para você também
E se veja por dentro.

Tanto Por Nada

Posted: 14 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , ,
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Tanto escândalo para findar na mesma fenda, na mesma situação...
Tanta histeria para calar com os vermes em boca desfigurada...
Tanta beleza resumida em ossos sem nenhuma aspiração.
Tanto ardor para não deixar pulsar nem mais uma lágrima...
Tanto gozo regozijado ao léu sem sentimento coletivo,
Para acabar igual a qualquer um que nunca se sentiu vivo.

Siga-Me

Posted: 13 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Siga-me e conheça
Um pouco da experiência
De ser livre,

Siga-me e saberá
Que ao fim do túnel
Ainda há a luz,
Mesmo em dia de chuva.

Que mesmo que a montanha seja alta,
Ainda podemos chegar ao céu.

Um dia pode retornar
A seguir a própria sombra.
Siga-me e muito breve saberá
Que não precisa seguir ninguém.

Criacionista

Posted: 12 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Não carecemos da sua simpatia para resistir,
Não precisamos de espectros para nos esconder.
Que seja a última experiência de decompor sonhos,
E mesmo que a agonia ainda pareça mais fascinante do que o deleite.

Não carecemos saber o porque de tudo para saber de algo,
Não precisamos de tanto ar para respirar na fumaça.
Que a tempestade traga o alívio que a pele almeja,
Mesmo que as queimaduras ainda descasquem com o vento.

Não precisamos de mais alívio para sentirmos divindade,
Precisamos somente de um gole de vinho vulgar.

No Rádio (Uma Valsa)

Posted: 11 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , , ,
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O festejo já teve início,
Na hora do crepúsculo.
E por mais que juntos
Perpetrem as alegorias
Alvitrem prazerosas,
A veridicidade é só uma:
A agulha ainda não perfurou
A íris do transtorno.

A valsa pode persistir
Sem mais nenhum chá.
O cadáver do egocentrismo
Está servido... Mas...
Infelizmente você trouxe
Um convidado indesejado
E não poderá atravessar
As cortinas do salão.
Infelizmente só temos
Uma máscara por pessoa.

Crudelíssima Vida

Posted: 10 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Oh... Eu não quero simplesmente morrer tão cedo,
Às vezes eu só desejo dormir mais um pouco
Para ausentar-me da traficante vida dos relacionamentos insanos do cotidiano...

Oh... Eu não almejo matar a todos tão facilmente,
Às vezes eu só quero sentir um pouco
De sangue escorrer entre os dedos e que seja de inimigos da liberdade.

Oh... Simplesmente esqueci
Que não poderia exterminar todos os parentes desse sangue.
Oh como a vida é cruel... Oh como a vida é cruel!


Sendo Outro Como Você

Posted: 9 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Sendo o que você ambiciona,
Não seria mais do que o pássaro que você aprisionou.
Sendo como você expressa ser,
Não seria mais do que o fascista que a sociedade criou.

Desejando ter com você,
Não seria menos culpado do que qualquer censor.
Deitando com você,
Estaria aprisionando a mim mais do que sentindo rancor.

Sendo o que eu desejo,
Você estaria adubando a terra pelo que já causou.


Eclipse Nebuloso

Posted: 8 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , ,
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Um dia o sol não nasceu, pensamos que o universo havia abortado todo resplandecer.
Um dia a lua permaneceu mais tempo ao inverso do cintilante milagre do alvorecer...
Um dia nós caímos em sono por mais tempo do que se pode sonhar ou vencer.
Um dia que não se há de esquecer.


Não! Significa Não!

Posted: 6 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Quando uma
Pessoa
Expõe não,
É porque é não!

E não é imperativo
Se ter uma vagina
Para não querer...

Quando uma pessoa anseia,
Tem-se que ter reciprocidade.
Afinal sozinho
Se é masturbação.

Quando uma pessoa diz não, é não!
Mesmo no momento mais próximo ao ápice.
Se alguém discorda,
Deve concordar quando
Alguém for de forçar um sim.

Doce Frio

Posted: 5 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Em um acorde sangrento
As notas da ária aguçada
Saciam a sede de vingança,
Pura, nua e crua perante
O resplandecer escarlate da crescente lua.

E em meus olhos a beleza da alvorada
Sugerem designar perspectivas
De um imaculado amanhã.
E não mais alcanço discernir... Ulterior caminho.
O vazio aconchega o reconfortante sono mórbido.

Opacos Relacionamentos

Posted: 4 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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A opacidade de relacionamentos cotidianos
Cai com os fios da cabeça sem fixação...
O vigor de um raio de sol faz aparecer a verdade
Dentre os dentes apodrecidos de raiva.
Tanto rancor para acabar consumindo
No mesmo cálice da tão estimada apatia...

A opacidade de ser social faz o reflexo
Não ter tanto brilho quanto a lágrima de vírus sazonal.

O Retumbar Dos Céus

Posted: 3 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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Quando a chama da razão se vai,

Os altíssimos muros de concreto,
Parecem se dissolver perante o dia
Em lágrimas na chuva cinza torrencial...

Tudo vai escorrendo ralo abaixo
Em meio aos céus cegados
Por tanta fuligem.
E a vertigem de ser
Um ser vivo em meio a tanta dor
Faz a ânsia de dormir uma virtude sem vitalidade.

Nem Morto

Posted: 2 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , ,
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A vida caiu no poço
O acaso acabou,
Sem viver a morte.

Verborréia Vol.2 - Depois De Hoje - CD de áudio-poesia (Por Anita E.)

Posted: 1 de ago de 2010 by Lux Alt in Marcadores: , , ,
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DOWNLOAD

Faz quase um ano desde que ouvi o primeiro trabalho de audiopoesia de Lucas Altamar. Nota-se para quem conferiu o inicial álbum do autor uma evolução considerável. Com suas palavras muitas vezes agressivas e urgentes, desta vez criou melodias que marcassem mais do que simples superfície de fundo para os poemas. Se continuar nesse rumo, pode até se profissionalizar, no bom sentido! Estou virando fã!

A faixa “Ruindows – Intro”, que abre o disco assombra pela originalidade simples... É admirável como você sente que um computador foi ligado. E é na verdade uma expressão inquietante: “Ué, quem ligou o pc?” Isso apontando como estamos atrelados a o planeta Windows. E claro, foi também uma forma de protesto à instabilidade do software que quase fez Lucas perder maior parte do material que está nesse disco, segundo ele me falou. Óbvio, também lembrando que o Windows usado por ele é de licença “tomada.” Foi também uma forma de usurpar as coisas “privadas” que na verdade temos livre acesso, como a voz da pessoa que fala nesta introdução. Que ele confessou ser nada mais nada menos que a interprete da Google. Usada, de livre posse.

A segunda faixa, “O Crime Não Compensa (Contra O Ego)” é quase insuportável de se ouvir. Mas de um modo totalmente interessante, pois a intenção dele era levar o ouvinte a uma percepção de fábrica. Como se pudesse ser ouvida as esteiras e as pulsações das máquinas trabalhando incessantemente. Apesar de curta, exige alguma paciência de se ouvir. Talvez por conta do que era intencionado tenha me trazido tal sensação.

A faixa de título homônimo ao álbum, e mais longa é uma viagem às pistas de dança. “Depois De Hoje” é como uma música genérica que poderia ser de qualquer boate. Claramente diferenciada do resto do disco, sua musicalidade é básica. Não surpreende, nem decepciona. Completa a mensagem do autor de que “Só haverá mais uma hora...” Então, é melhor dançar! Pelo menos foi o que captei.

“Por Do Sol (O Último)” tem uma vibe de melancolia alegre. Como se a melodia encaixasse perfeitamente ao aviso/despedida da poesia. As batidas, e bateria dão um toque de exaltação e o(s) piano(s) dão o tom de sentimento. Só há algo estranhamente interessante em termos de gravação, há o uso de eco em algumas palavras que não sei ao certo se deveriam significar algo. Afinal não parece erro, mas também não parece que deveriam estar ali. Vai-se entender o que queria passar.

O Interlúdio dá um toque à parte! Muito bem bolado! Quem imaginaria ouvir noticias no meio do cd? Achei a idéia ótima de se repetir. Confesso que fiquei com inveja, e que deu vontade de criar um cd com informações contundentes, como foi à proposta dessa faixa. “Sobre Os Bancos”.

A sexta faixa tem uma tensão que é quase palpável. “Vivendo À Prova” é uma daquelas faixas que quer usar sem abusar das percepções alheias. Ela faz coçar os ouvidos com retoques entusiasmados e tensos. Mais uma vez a poesia encaixa quase que melodicamente a música. E a proposta de ser um álbum de audiopoesia, a meu ver, fica um pouco diferente. Mas ainda assim, interessante.

O efeito dado a faixa “Anarkiistoj” de uma duplicação de voz ao recitar a poesia deu a sensação de ser realmente mais de uma pessoa falando em 1ª pessoa do plural. A música não me agradou muito, talvez pelo contexto da poesia, que me toca profundamente. Não achei que combinou. Creio que uma melodia tensa encaixaria melhor. Apesar de mostrar que o cd é eclético, as batidas não parecem ritmadas. Talvez no próximo volume ele tente uma coisa menos trash. Para não dizer menos forçada.

O frescor de "Vida Pós Vida", a faixa que se segue, é inteiramente ambiental. Com um discurso inflamado ateísta, mas tudo isso dentro do contexto musical, não há nada flutuando mesmo a peça não tendo sido criada por ele, alias, assisti um vídeo onde essa melodia passa, e simplesmente não parece a mesma. Mesmo ele garantindo que não usou nenhum efeito. E ainda tendo usurpado a trilha, a faixa aparenta original.

Certamente a música que deveria ser emendada pela faixa anterior. Seria interessante que a chuva ao fundo fosse compilada entre as composições. Mas ainda assim não deixa a desejar tanto. Os efeitos vocais e a tensão de fundo complementam o que parece uma descrição poética de uma breve viagem e fuga da realidade. “Muro Da Vontade” faz você sentir-se adolescente parado ao muro da escola. Curtindo uma benzina. Quando parece que você quer fazer milhares de coisas, no entanto quando passar o barato da droga.

“Inteligência Infinita” é uma poesia maravilhosa! De uma sagacidade jovial e impetuosa. Seria melhor ter sido recitada sem melodia, do que ter usado o que Lucas usou. Em minha opinião é de longe a pior faixa do álbum. Creio que a pitada de temperos indianos na música causou o desarranjo. E tudo parece um pouco forçado. Desde a voz da jovem no início, até as sitras que parecem não se harmonizarem em momento algum. Se a idéia era dar uma tonalidade de loucura, deu certo, senão, continua sendo a pior faixa do Verborréia.

“Sem Inocência, Sem Culpa” é para mim a compatível do volume anterior com “Única Certeza”, onde a poesia encaixa perfeitamente com uma melodia já existente. Como ele fez com Carmina Burana, aqui ele atingiu em cheio com a mixagem. Aparenta que a harmonia foi feita com aquele espaço determinado para abarcar as palavras dele. Há um tom de ascensão na cantoria japonesa da música de Kenji Kawai, que às vezes até irrita pela agudeza, mas ainda assim, caiu como uma luva ao poema.

Um suspiro pesado introduz seguido de batidas distantes dando o teor denso da poesia de “Dores Crônicas”, que traz todos os ingredientes de uma música despedida. Faz sustentar as canções que descarregam fortes metáforas sobre um clima ora sombrio, ora melancólico. A penúltima música do álbum faz o som do violão aprisionar a atenção nos intervalos das batidas que seguem emendadas até a ultima faixa, “Ruindows – Outro”. E depois disso uma mensagem em inglês é repetida varias vezes até que entendamos tão forçosamente quanto as batidas repetitivas da segunda faixa. Finalmente há o anuncio numa voz que eu conheço, mas não sei de onde, que “a próxima é a última música”, e que esta não é nada mais nada menos do que o encerramento do Windows. Trazendo-nos novamente a atmosfera de que um computador foi usado. Como se tudo o que aconteceu no Verborréia, foi passado em um pc. Mais uma vez, brilhante!

Emocionou-me na primeira audição, baladas arrasadoras com poesias caprichadas que permitem mais de uma interpretação. Um belo disco que com quase cinqüenta minutos de duração consegue passar deliciosamente sem em momento algum ser entediante, pelo contrário apesar de as músicas serem simples, mas a originalidade grita mais alto, e faz você viajar por cantos da própria interpretação, identificando-se em muitas das palavras recitadas. Brilhante trabalho de uma pessoa só, no melhor estilo faça você mesmo como ele sempre deixa claro. Parabéns Lucas Altamar! Espero o próximo volume!

Anita E.
Jornalist@