Talvez Tudo Seja Ordenadamente Caótico

Posted: 30 de set de 2008 by Lux Alt in
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Talvez tudo não passe de uma fase sem sentido,
Talvez seja só adesão mental a uma proposição,
E conseqüente aceitação da verdade dessa proposição.

Talvez tudo seja função física de estado de tempo e espaço,
Talvez seja só mais uma associação com organização espacial
E conseqüente medida da quantidade de desordem dum sistema.

Talvez tudo seja perfeito demais para se tentar ter um caos total.

Parentescos

Posted: by Lux Alt in
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No começo todos se acham parentes
De uma circunstância assimilada,
Uma liberdade é conjurada
Enquanto não nos devemos deveres.
Um tempo se passa e se cobra um preço
De um sangue ou sêmen.

Infelizmente eu não entendo
O que é a loucura de obrigação do amor.
Depois de tanto tempo
Ainda devemos nos prender a uma família,
Dizendo amar alguém que nos prende
E que ordena e quer obediência?

Depois de tanto tempo
Ainda não entendo o que é este negócio...
Família!

Culpas Do Além...

Posted: by Lux Alt in
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É bom saber que não há culpa em seus atos,
Isto é mais importante do que considerar
Um parâmetro maniqueísta de bem e mal.
É bom saber que não se arrepende de nenhuma dor,
Assim não se importará em sentir toda a energia
Do que é culpar o além por seus atos.
É bom que saiba também
Que eu não sinto nem dor nem culpa por sua dor.

Algum Dia O Toque Nos Absorverá!

Posted: by Lux Alt in
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Algum dia eu quis a magnitude de ter o contato,
Do que era a vontade de ser tocado.
Por algum momento eu exigi: Me sufoque!
E perdi enquanto dizia não carecer.
Algum dia nos encontramos perante o mesmo anseio,
E de cima para baixo a única coisa que mudou,
Foi que outros também me tocaram.
Algum dia eu achei mais importante o toque,
Do que as palavras.

Mostre-Me Suas Faces!

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Alguns rostos são marcados
Por nossa vontade de ter contato
Com o intocado pecado e o desconhecimento
De culpa e discernimento
Quanto à impureza

Os momentos incríveis fazem mentir
Por trevas que realmente não são nossas.
Algumas faces tentam desencorajar
A verdadeira expressão do ser
Que tais faces têm perante a realidade
Que é a vida de uma única vida.

Encontros Em Lugares Sem Marcas

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Algum lugar há,
Para buscar o seu lugar,
Que pode não ser,
Nenhum de seus caminhos.

Tantos céus...
Nenhum muro.
Tantos mares...
Nenhuma bandeira.
Tantas cidades...
Nenhum lar.

Quando As Grades São Nossas

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Quando o caos toma forma,
Vemos refletidas nossas vontades de ordem.
Quando esperamos uma perfeição,
Temos destruído todo o resto da construção.

Quando nos perguntamos até onde podemos ir,
Já temos delimitado qualquer vontade de fuga.
Quando nos prendemos a conceitos de liberdade,
Já temos perdido tudo.

Cama Fria

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Querendo ou não as parafilias seduzem os fetichismos,
Causando dor e prazer vemos que nem todos são assim.
Quem procura no fim do túnel só a luz de seus egoísmos,
Não sabe que não quer dizer não, e não jamais será sim!

Enfia o que veir a frente, toda essa tua imaginação!
Não se importa com gritos e urros, tudo acabará melado...
De sangue ou do que seja, não há moral ou pecado...
Lambe-me os sussurros de insurreição...

Depois da devastação desculpas importam tanto quanto o grito calado.

Gozo Guache

Posted: 21 de set de 2008 by Lux Alt in
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Não encontrei ainda minha perfeita pintura,
Menos ainda o Dorian Gray que pudesse eu corromper,
Dando-lhe os prazeres e dores da filosofia mundana.

Encontrei-me com desenhos desajeitados e sem essência
Esboços de consciência anulada que não se mutam,
Que querem somente o instantâneo e querem exposição.

Não encontrei aquela para ser a final prima obra,
Que de referencia servisse ao mortal por estar viva,
Diva manchada pela aquarela dos desejos tatuados.

Encontrei-me com caricaturas sem graça – desgraçadas,
Que tentando com o sorriso me conquistar me agrediram.
E nada pude fazer senão passar corretivo para cobrir...
Não há borracha que apague sem rasgar.
É... Talvez eu careça um dia solitário raspar o corretivo.

Arrependido Por Não Ter Se Excitado

Posted: 20 de set de 2008 by Lux Alt in
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A noite está úmida, devassamente vagabunda.
As ruas estão molhadas e eu saí da boate...
O gueto me enjoou por só quererem minha bunda,
Mas o que eu esperava? Um amor que morra ou mate?

Para achar caça pensante não seria eu um caçador...
Andando a esmo já desistindo de achar Alguém,
Vem você em sua carruagem e num tom sedutor,
Nossos olhares se cruzam e eu sei que você quer também.

Aceito o convite para o além-mar e caio em fantasia,
Corpo no corpo e eu também sinto o coração acelerar,
É você quem soa mais e goza em anestesia!
Penso-me ter achado quem eu queria ter realmente achado...

Mas você morre de parada cardíaca ao ejacular!
Maldito ecstasy que devia ter rachado e aceitado ao oscular.

Pedras Do Impossível

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É impossível não ser egoísta com um momento assim,
Quando haverá tal sintonia? Ah você me completa...
Completamos-nos sem precisarmos de sexo ou idéias...
O mundo poderia parar neste verão nupcial.

É impossível não pensar em teu sexo quando tu falas,
E quando fazemos é inevitável vir tuas palavras.
Completamos-nos sem demonstrar a lascívia conceitual,
O mundo poderia explodir com nosso gozo matinal!

É impossível não desejar eternidade quando te vejo dormir,
E insônia quando estamos no ápice de nossa difusão.
É impossível não ver de tão longe a nostálgica ilusão...
E hoje é impossível não me arrepender de ter te deixado cair em pedras.

Na Mão

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Por mais que recorra
À masturbação,
A vida não passa muito disso:
Beijos saliventos,
Cigarros manchados,
Vinho vulgar,
Calor de paixão de verão,
Frio de solidão invernal.

Não há felicidade
Que dure para sempre – Ainda bem
Não há amanhã
Que não tenha passado pelo hoje também.

Não há impossibilidade
Na fantasia do pacto solitário,
Lubrificantes improvisados,
Drogas excitantes,
Vibradores,
Suor de sal,
Sangue vaginal
E merda na ponta do pau...
Na mão só o resultado do surreal.

Consciência Platônica Realizada

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Por vezes incontáveis concedi lágrimas a você.
Lágrimas de prazer, de realidade idealizada.
Minha.
Ah como senti. Se tu soubestes o quanto senti.
Se tu imaginastes o quanto você me possuiu,
Em lugares sem donos, sem regras.
Só nós.
E existe uma verdade física para isso:
“Qualquer realidade que possa ser imaginada, já é uma realidade.”
Imagino agora quantas realidades
Nossos corpos, nosso suor, nosso gozo povoa...
Quantas realidades de puro prazer...
Não só nossas...
De todos que nos pensam.
Mas não há nada melhor do que ver você dormir ao meu lado,
Só para imaginar se existe realidade realmente povoada,
Unicamente por nosso desejo.
Será que temos sonhos iguais? Reais?
É então que tu me respondes acordando, olhando dentro de meus olhos enevoados:
- Sim...

Incógnito

Posted: 18 de set de 2008 by Lux Alt in
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Caíram as folhas do outono,
Queimaram a derma ao verão.
No inverno caíram em sono.
Na primavera flores serão!
E assim se transformarão!

Faça-me pensar em teu pensamento,
Faça-me cantar nosso momento,
Faça-me não cair em lamento,
Faça-me teu incógnito sentimento.
Incógnito, incógnito sentimento...

Não busquei teu eu pois achei injusto,
Cobrar algo tão fútil e tão simplório.
Não cobrei nem quis saber o custo
De se descontar a presença num velório.

Sei que foi real enquanto tive comigo,
Depois que expulsei esse amor, ele foi seu!
Sei que tive o tempo como mor inimigo,
De tal crença você até se esqueceu.

Faça-me por um momento,
Teu incógnito sentimento.
Incógnito, incógnito sentimento.

Esperando O Sol

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Esperando o sol, ouço os pássaros cantando.
Esperando o sol, ouço vozes gritando,
Tentando corromper o sonho do ultimo vôo.

Esperando o sol, choro antes de ser tocada.
Esperando o sol, choro pela lágrima derramada,
Tentando romper a realidade na qual ecôo.

Então aqui esperarei
Voltem às vozes que nada dizem
Os amores falsos como dinheiro...
Então, aqui esperarei meu desespero derradeiro...
Voltem às dores e os intensos prazeres.
Não transformarei nada em paradoxal.
Sentirei tudo como nunca ao limite irracional
Aqui esperarei a luz do sol boreal.

Eclipse

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Um instante se passou,
Não contei os raios cadentes.
A luz por si fracassou,
Fechei os olhos ao tocar os dentes.
Um instante anímico
De troca de inigualdade
Inócuo, simples e cínico,
Eclipse da mortalidade.

Um instante duvidoso,
E já tinha certeza.
O prazer mais impiedoso,
A premência da minha natureza.
Um instante sufocante
De flamejante insanidade.
Viciante alfanje amante...
Eclipse da vitalidade.

Um instante infernal,
E paradisíaco gozo.
Trevas em nossa moral,
Rubro mas não ruidoso,
Um instante onírico
De total individualidade,
Vulgar, sujo e lírico...
Eclipse da realidade.

Marcha Escrava

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O café esfria na xícara e a carne apodrece no prato,
Não há calor na cama e jamais haverá parto.

Não vejo as aves matinais nem rugas no rosto,
Sobrevivo às paixões infernais sem toque e sem gosto.

Pulo no lago do esquecimento para suportar tudo isso,
O artifício é apagar o ontem pra não cair em vício.

Noite, noite, noite após noite, noite, noite, noite...
Esse é meu doce castigo, esse é meu auto-açoite.

Não existem cicatrizes físicas, mas a dor é mortal
Com o tempo até a rosa mais lírica torna-se assentimental.

Depois da mente e do coração não existe o espírito,
A razão se inverte em razão do conhecer infinito.

A história da escória se passa cruelmente lenta,
A gloria vira simplória depois que do erro se ausenta.

Aqui ou ali a chama se apaga, e quem você ama a morte afaga.
Marcha escrava, marcha amarga. Marcha, marcha escrava...

Fadas Em Minha Mente

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Jogar com a sensatez nem sempre faz você ser são.
Amar mais de uma vez faz você rever o conceito sobre paixão.
Então, é melhor pensar o que pode te levar ao chão.
Bata, bata com a cabeça!
Se não houve prazer esqueça.
Não serve de lembrança uma decepção.
Agora queime sua social concepção!

Num dia diferente, livre de algemas
Desnudar a mente camicase de carapaça,
Sem disfarce, sem dores ou problemas,
Explodir a cabeça já que a dor não passa.

Fadas em minha mente,
Quem entende sente.

Não há para onde fugir, tomaram o horizonte.
Não há como omitir, o cérebro é a fonte,
Não há pra onde fugir, o olhar é o horizonte.

Está consumindo o sonho mais frugal
As asas ensurdeceram as luzes ao olhar,
Jamais conhecerão tripúdio igual,
Por tal, é melhor se deixar levar...

Fantasia

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Processo de associação livre,
Que não sofre interferência da externa estimulação...
Imaginação, devaneio, delírio ao sonhar acordado.
Um dos mecanismos do ego.
Portanto, aparece com freqüência em estados de frustração.
Então não rompa minha concentração!

Na beira do muro do hospício,
Procurei flores de um passado,
Até atrofiar a lente do auspicio,
Deixei meu eu ser transfixado,
Para tela de um pintor caçado.
Ah ego desgraçado!

Fantasia dum eu de fantasia,
Fantasia qu’eu fazia da real fantasia,
Fantasia da minha memória perdida em fantasia
Fantasia.

No delírio cotidiano de estar desolado,
Procurei responder o inexorável
Mas o espelho quebrou calado,
E só lembrarei o que for palpável,
Como o cruel futuro imperdoável.
Ah ego instável!

Nostalgia, hipocrisia, simpatia, apatia, entropia – fantasia.
Orgia, sincronia, fobia, heresia, noite e dia – fantasia.

Dias Chuvosos

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Você perdeu sua reputação, perdeu seu eu, sua razão.
Você desceu pelo ralo como escoamento duma ilusão.
Você implorou pela dor do rompimento dessa rede...
A chuva cai e você continua com sede.

Você pediu o prazer máximo, sabendo a conseqüência.
Você decidiu que negar o calor seria ato de clemência.
Você teve a experiência de se apaixonar diariamente...
A chuva cai mas não lava tua mente.

Os dias chuvosos eternos serão,
As feridas passadas não sanarão.
Os dias chuvosos eternos serão.
Mais dias chuvosos ainda virão.

Você cedeu à simples tentação dum amor eterno,
Você concedeu o “sim” para viver evo em inverno.
Você quis o querer que ofereci ao dizer te querer...
A chuva cai, mas não faz florescer.

Liberte-Me!

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Oh, pessoas escorregam pela rua,
Ninguém sente o quão isso é louco.
O dia, o tufão corta a pele nua
E meu coração bate tão pouco...
E meu coração bate tão...

Oh eu amei, mas já não sei,
Onde deixei esse tal Alguém.
Agora já cansei. Já cansei meu bem...

Oh, eu sinto a dor dessas correntes,
Destruístes a flor de minha paixão,
Prendestes o amor que tu sentes,
E não deixou o calor virar emoção...
E não deixou o calor...

Mas peço agora – Liberte-me...
Que vá embora – Liberte-me...
Minha alma implora – Liberte-me...
Agora! – Liberte-me...

Oh eu amei, mas não fui,
Onde deixei esse tal Alguém.
Quem possui esse amor também...?

Viajante

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Por veredas floridas pela abstração,
Por estradas coloridas com emoção.
Incontáveis partidas sem lamentação
Ilusões perdidas na inspiração.

Então... Venha comigo ser livre como o ar,
Venha ser a brisa que vem do mar.
Então... Venha comigo não pare pra pensar.
Venha viajar.

Por praias poluídas de pureza.
Por mentes possuídas com o esquecer.
Por cachoeiras caídas em natureza,
Por ilhas rompidas do amanhecer.

Não deixe entorpecer,
Não canse sem ser

Em icebergs bronzear a mente
Em castelos realizar o que sente.
Venha ser viajante permanente do inconsciente.

Não ouça sem ver,
Não morra sem viver!

Vício SurReal

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Simples prazer inconsciente do meu tato já ferido.
Mergulho no mar da mente e não há pedido proibido.

Tenho mais caminhos abertos,
Sou o sonho dos despertos,
Os erros mais corretos.

Cai para o infinito,
No meu querer mais profundo.
Pois só assim me excito,
Esse é meu mundo real
Esse é meu vicio surreal.

Inesgotável como o sal marinho em lábios amargurados,
Incomparável qualquer vinho dos inexistentes pecados.

Tenho o infinito como limite,
Não há quem prive ou imite,
Não há dor que não excite!

É possuir a liberdade mental
É tocar a sanidade moral
E superar a realidade surreal.