Produto Vazio

Posted: 28 de nov de 2007 by Lux Alt in
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Impotência, impotência...
Operação em curso...
Identidade deformada,
Num sussurro assassino,
A repetição do conjunto.
O sono não chega,
Mas o massacre sim.
A cabeça dói sem funcionar
Se decidir ir além,
Lá esperando o cérebro pulsar.
Ao decidir desistir de lamentar a derrota,
Tentar novamente.

Do que adiantou tentar ultrapassar o labirinto das entranhas,
Se sempre entramos por vias desconexas de palavras mudas...

Últimas Lembranças

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Eu lembro bem, e as memórias teimam voltar,
Do tempo que eu podia respirar e sentir os perfumes,
Os campos verdejantes das flores funerárias,
Eu lembro que os sentidos tinham sentido.

Eu ainda lembro que andávamos sem caminho,
Correndo todos os riscos e riscando a terra úmida,
Vendo vaga-lumes e joaninhas nas folhas de papel
E deformando tudo com cogumelos e flores.

Eu lembro bem que antes de tudo nada havia,
O tempo era parado e as nuvens não tinham forma.
A água era só água e não nosso reflexo,
A memória era virgem por falta de ter o que recordar.

Eu ainda lembro que a ensolarada manhã chegava logo,
Os invernos não eram tão frios se a chuva não era lágrima,
A neve agora é só branca, não mais sorvete...
O jardim é de ervas daninhas que se arraigaram a mim.

Eu lembro que havia uma promessa de eternidade,
Que as lembranças seriam renovadas em surrealidade salivar,
E agora essas lembranças empoeiradas me matam,
Como se tivesse alergia a pensar ou sentir algo novo...

Não importa mais, dentro da floresta eu me guardarei,
Como em um baú jogado às profundezas do oceano.
Não importa mais, a dor também será lembrança esquecida,
Eu me trancarei na caverna do jamais e repousarei.

Não haverá telefone ou choro de criança que acorde,
Não mais quero pertencer a esse mundo mundano.
A chave foi embebida em licor e engolida com sono...
Meu mundo se fechou para esse mundo de lembranças!
Agora lembro que poderia ter te esquecido antes.

Buscas Racionais

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Buscas das pancadas espancadas para elucidar algum crime não praticado,
Lúcida como nunca antes, a razão procura uma culpa para si.
Puro paradoxo que não para de dopar esse lirismo de floricultura artificial,

Assim quem duvida ainda sente alguma vida. E é a viva racionalidade!
Dúbia-vida, que não há ninguém que queira saber mais.
Assim morre tudo que era vivo nas idéias racionais, reacionárias e racistas...

Das porradas que bateram de frente em mãos delicadas de pedreiros andróginos.
E as mesmas flores de plástico que tanto poderiam durar em outras mãos,
Murcharam ao calor da violência inebriada das idéias sem razão de serem idéias.
A busca por uma razão de ser uma pancada espancada foi finDada

Vôo Sonífero

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Uma inspiração passou rasante arrancando pedaços de lua,
O céu não era de nenhuma boca, mas os dentes eram de alho,
Assim que tudo findou na paz de um cometa cerebral,
O eclipse chegou e tudo que era translúcido ficou incógnito.

Um Sonho Comigo

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Andei por cordilheiras e cai em poços
Inundados da lama cotidiana da rotina,
Ergui-me,
Mesmo em frangalhos ensangüentados revivi em mim...
Cresci ao ponto de não caber
Em imaginação propriamente minha.
Acordei em camas que desconhecia dono
E voltei à rotina do sonhar,
E pensei dentro deste devaneio:
Como seria sonho não mais ter que dormir.

A Loucura Da Felicidade

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Você ainda obstina-se em me dizer e expor que é tão feliz...
Como és capaz? Eu sinceramente não posso...
Se eu vejo tantos desastres que minha retina fica manchada com a poeira dos destroços...
Se eu ouço gritos de dor por mortes que são causadas por desejos egocêntricos,
Se eu vejo a liberdade ser obliterada do modo mais inescrupuloso por desculpas infundadas num dito mundo livre...
Se tenho que pisar em corpos amontoados como sucata.
Corpos sem nome, sem espécie, sem a tua identidade...
Se tenho que ver o planeta no qual vivo ser destruído... Por água ou por óleo...
Se tantas criaturas que sentem dor e também como nós, têm o desejo de liberdade têm que viver aprisionadas na loucura cotidiana de alimentação fútil e vaidosa de alguns...
Se isso pode um dia acontecer comigo ou com você... Basta aparecer alguém dito “mais forte.”.
Como posso eu ser feliz...
Se tenho que fingir loucura pra ser são...
Se tenho que ser número pra ser alguém,
Se tenho que ser parte do padrão pra ser sistema...,
Se tenho que ser outro pra ser eu...
Então, como posso ser feliz?
Crendo em fantasia? Não... Isso é só recreação.
Eu prefiro a infelicidade e a consciência dela,
Do que sua alegria politicamente prometida por uma hipotética eternidade.


Resto De Vida (No Fundo Da Garrafa)

Posted: 20 de nov de 2007 by Lux Alt in Marcadores: , , ,
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A flama que se eleva na noite escura,
Enquanto bebo desesperado,
É o desejo de me libertar interinamente
De conceitos de culpa e pecado...
Nos lábios que cantam um doce canto,
O vômito escorre para dar lugar,
A mais uma imediata quantidade
De embriaguez de um vinho vulgar...

Na promessa de dias melhores
A vida se revoga, para ter um melhor agora.
Numa construção de caos indigno indignado
Comemoro a solidão acompanhada que vigora,
Mesmo sem querer inclusão de um único ideal maior,
O pouco é o bastante,
Não para mudar algo distante,
Mas o meu mundo com cotidiano de liberdade constante.
O resto é só não tão importante... Restante.

Intervalo Para Jantar

Posted: 19 de nov de 2007 by Lux Alt in
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Eu não penso mais,
Como pensava antes.
Amadureci e apodreci
Como uma fruta,
Murchando como aérea flor parasita.
Os perfumes não são os mesmos
Quando se passa tanto tempo cheirando plástico.
Os sabores se desgastaram
Nas escamas da língua,
Nem todo cigarro queima
Tão rapidamente quanto à vela vital,
Nem toda vitalidade que imaginava
Ainda ter tenho mais.

Foram-se os sonhos jogados
Em papeis amassados no lixo.
Os rabiscos de uma biografia anacrônica
Borraram com a lamúria
De um existir mutilado,
Em outrora, todavia doravante.
Avancemos pra o que mais importa:
Quem se importa com a elasticidade do tempo,
Se todo dia uma hora passa tão rápido e somente?

Sacrifício Em Memória

Posted: by Lux Alt in
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Por favor, eu não entendi tuas últimas palavras,
Tudo escorreu de tua boca como um fio de baba.
Eu me abobalhei ao pensar que poderia ter que te matar,
E ficar sem tua companhia nestes dias chuvosos seria insuportável.

Por favor, não faz com que o tempo se desgaste em lembranças cretinas.
O platonismo do luto é amargo como fel inflamado na língua.
Eu me desvencilhei das frivolidades do mundo por ti,
E neste quarto quero ficar o resto do resto dos dias inomináveis.

Por favor, que todas as palavras de declaração recomecem,
Que de tua boca flutuem como brumas alcoviteiras.
Eu não permitirei que se desgaste tudo o que ainda pode acontecer,
E que o que se incidiu ainda reste de alvitre como todo o resto.

Se não atenderes meus favores é porque não mais me entendes,
E se não entendes o que aconteceu eu prefiro o nosso fim.



(Oh amnésia degenerativa, o que me fizestes?)

Mente Máquina

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Que marchem
Pela indisciplina integrante,
Contra máquinas,
Só podemos almejar adaptação
Feita está!
A tua demência é um chip defeituoso

Que marchem, marchem...
Pela disciplina incessante,
Como máquinas
Só podemos engajar perfeição
Feita está!
A tua demência é ação armazenada

Lágrimas Urbanas

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O cigarro queima nos lábios que queriam queimar algo mais,
A fumaça perfumada se esvai como fantasma da ópera,
Decepando o ar que teima invisibilizar a face deformada.

As gotículas de chuva ácida escorrem da própria saliva,
Queimando a derma da insatisfação que agoura o viver,
Deixando vômito inconsciente como lama para refletir-se.

Uma flama de fogo fátuo ergue-se como flor de pós-guerra,
Na premissa do apogeu apocalíptico que se faz origem,
E tudo mais significa nada no prisma da falta de perspectiva do ser humano ser no mundo urbano.

Axiológico

Posted: by Lux Alt in
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Por mais que todos riam das idiotices
Sem sentido patológico demente,
Não consigo achar lógica nenhuma
Nessa idéia patológica incoerente

Além dos crimes sem questionamentos
E julgamentos que atentam,
Eu me pergunto se haveria
Alguma justificativa coerente para o que comentam.

Por mais que eu tente me justificar
Que há algo melhor para me preocupar,
Ainda teimo desassossegando
Com justificativas que outros tentam apresentar.

O mundo é pequeno demais
Para minhas patéticas patologias inconcebíveis,
E nem por isso procurando vou ficar
Um sentido ou lugar para ir ou para estar.
Mas aqui estou. Percebendo só poder sentir
Desprezo por tais humanos horríveis.

Caixa Dos Desejos

Posted: by Lux Alt in
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O que você deseja ser a partir deste momento?
Escolha! Seu futuro é sua estação, seu tempo...
Que uma violenta felicidade possa atingir teu âmago,
Perfurando a crosta da incandescência de sofrimento.

O que você deseja construir com esta vivência?
Invista! Pois não haverá outro edifício significativo.
Que reflita as idéias de um símbolo sem expressão,
Que desabe e se erga antes de virar pó de essência.

O que você deseja ver além do porque da questão?
Insista! A resposta só será revelada depois da aurora,
Que seja incompleta enquanto durar as idéias vivas,
Que seja viva a pergunta mesmo a réplica sendo não.

O que você deseja é o que você tem
O que desejam, desejam teu desejo também.
Quem nada deseja não deseja ser ninguém.!

Fundamentos

Posted: 11 de nov de 2007 by Lux Alt in
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Dizer “para sempre” é ter consciência completa
Do contexto temporal a se empregar.
Em qualquer lugar no espaço,
Os eventos serão os mesmos. Infinitamente!
Pode chamar o quanto quiser,
As folhas ainda precipitar-se-ão no jardim das idéias,

As espécies ainda matar-se-ão
E se mutilarão entre si os seus semelhantes.
E mesmo tudo parecendo repetido,
O mesmo hoje será diferente sempre.
Em qualquer lugar no tempo, em qualquer lugar no espaço.
O humano será sempre o lixo que é e que produz.

O Mundo Oco Parte 2

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O dia começou mais uma vez
E só o que há pra se fazer
É amaldiçoar quem o fez. Eu...

As camas estão desarrumadas,
Os cigarros acabaram...
No banheiro de piso xadrez
Os reflexos sombrios relembram
Outros mundos sem nexo,
De escuridão sem fim.

Um vazio incomensurável
Consome tudo que outrora,
Poderia ter-se deixado existir.

Nem mais drogas,
Nem mais ditos amigos ou conhecidos...
O caminho é único.
Uma queda de confusão plena.
De serenidade dormente.

Não há mais vítimas nem guerra.
E um grito de nada ecoando...
O mundo está completamente oco.

O Mundo Oco

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Em qualquer orbe distante,
Hei de encontrar Alguém.
Também líbero amante.

Discurso DeMente

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A razão passou rasante por minhas idéias de loucura.
Na verdade eram sonhos conjurados em racionalidade,
Sem nação ou bandeira de nomenclatura do que seria desatino.
Mas de todo jeito, o jeito sendo de um modo ou de outro.
Isso arrasou minha consciência radicalmente racional.
E além de estar sozinho neste poço raso, ainda divago na vaguidão
De nada ter a dizer sobre o que é racionalidade
De razão nenhuma ou loucura irracional...
E se pensam que é fácil responder o que é
O fato da loucura no discurso médico é porque ainda teimam
Em ter a loucura como fator exxxclusivo desta merda de sociedade
Falida e caída no mesmo poço vazio da consciência.
E se ainda assim pensam que falar de consciência é uma insistência inconsistente
É por que não conhecem o incógnito poder da dialética retórica
De se falar tanto sobre algo tão inexplicavelmente desconhecido.


Inválido

Posted: by Lux Alt in
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Os espelhos quebraram e caíram em minhas costas,
Achei que poderia cobrir tudo com mais uma tatuagem...
Mais uma vez fiquei pensando demais antes de agir.
E um caminho se construiu perante minha visão abobalhada...
Um caminho de tijolos sangrentos e espelhados.
Em gotas de lagrimas supuradas...

Uma forca foi posta em minha fraca vontade,
E não mais adianta tentar correr, estou preso à idéia.
A coluna quebrou e não há como remendar... Já tentei.
Fico aqui como um inválido (desculpa ser pejorativo)
Mas cada um conhece o que chamar de invalidez.
Olhando para o amanhã que não vem.
Na invalidez legítima de sentir-se humano.

Infeliz Assegurado

Posted: by Lux Alt in
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Não há em vocábulo a possibilidade de elucidação,
Do quão amplo é meu ódio por mim mesmo,
Jamais serei absolvido por tal ultraje. Por tal crimidéia.
Podem me apodar de inerme... Caso desista adiante...
Por que me deixei chegar a isso?
Não... Não é meu lugar. E não é que me seja inferior,
Só que este sentimento me assola...
Não... Não é como se fosse um alienígena,
Sinto-me um intruso, é como se fosse um intruso dos mais ameaçadores,
Derrotado, escravizado e ojerizado por essa tentativa imoral de irrupção.
E ninguém jamais saberá o quanto estou infeliz. O quanto me sinto sobrepujado.
Infeliz. Sozinho. Como sempre quis. Como nunca desejei ou busquei algo,
E nada se altera. Ou mudará. O tempo não esquece. Nenhum corpo aquece.
Não haverá lágrimas suficientes de ódio ou infortúnio, nada fará sanar.
A mágoa ficará para sempre como uma ferida crônica,
Como vidro nos olhos, como dedos eternamente atados.
Como unhas inflamadas...

Contudo daqui pra frente tudo já está seguro.
Assegurado com esta biografia. Ou melhor, com minha morte.
Só assim esta vida valeu algo... Para quem viver.

Marcha Solitária

Posted: 10 de nov de 2007 by Lux Alt in
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Para onde olho, vejo solidão conjurada em solidez,
Todos estão vazios, sem ego. Cópias imperfeitas de uma imitação.
Como carcaças sem órgãos que se arrastam em palidez,
Movendo-se sem vontade própria, numa esteira movediça ao chão.
E mesmo que venha uma tempestade visitar, a marcha prossegue...
Resistirão os que nada sentem. Nem dor, nem amor, ódio ou paixão.
Onde for haverá zumbis assim. Sem eu, sem tu. Eles só.
Eu sou diferente, eu sei, eu tenho algo meu! A peça de Lego,
E tenho medo mórbido de algum momento deixar-me também só.
O vácuo consome tudo, mas só eu vejo... O vácuo do ego,
E é doloroso saber que só eu posso sentir e fico parado, mudo,
Que estou escondido dentro de um pseudocorpocarcaça,
E desse corpo vejo temeroso meu eu se adaptando a tudo...
E eu mesmo resistindo, por algum tempo me torno igual a essa massa.

Lábios Sísmicos

Posted: by Lux Alt in
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O sonho acabou sem mais consideráveis estragos,
Como um ímpeto desejo de causar abalos sísmicos,
O coração dilacerou-se ao provar lábios tão amargos,
Que inibiram o pudor de concluir os movimentos rítmicos.

Não importa que caminho ouse seguir além,
Como um espantalho, foi crucificado para definhar,
Mesmo assustando, o ultimo medo mortal também tem.
Medo de permanecer estendido ali sem se alinhar.

As coisas assim ainda serão do jeito que vêem,
Mas sem com lábios sísmicos sonhar
Não adianta de nada ganhar nenhum vintém.

Depois De 2 Garrafas De Vodka

Posted: 3 de nov de 2007 by Lux Alt in
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Por um instante andando ao léu e sem rumo costurado,
Ele cursou o caminho inesperado do desconhecido.
Por um segundo ele desligou-se de sua carcaça, de sua mente.
Ele pôde ter neste momento uma visão dele por completo...

Por um instante... Não sentiu nada além do nada sentido,
Ele, mesmo andando não distinguia o mundo em volta.
Por um segundo ele compreendeu o fluxo da temporalidade,
Ele tocou o conceito da improvável probabilidade intangível.

Por um instante ficou solitariamente abstinente só na sarjeta,
Ele elevou seu eu ao ápice do poço esgotado inconfessável.
Por um momento a ebriedade diluiu-se em consciência.
Ele piscou abrindo os olhos para um mundo novamente inédito,
Por um segundo curto de intimidade
Ele ficou sóbrio e depois caiu em si.

Engrenagem

Posted: by Lux Alt in
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Por que você me transformou nisso? Um infeliz produto...
Para onde foi todo teu incondicional amor teu bem-querer?
Tu sabias o quanto eu odeio estar seguindo este imundo conduto!
Para onde foram minhas vontades? Eu me submeti...
Por que me prendestes a tua ambição de salva-evolução?
Sabendo que ignoro qualquer crença deste mundo inóspito...
Para onde foi minha dita autonomia hedonista? Eu me reprimi...
Tu subjugasses-me com tuas chantagens de requisição obrigatória!
Agora, estou preso ao teu plano tecnocrata de felicidade maquinada.

Eu não quero segurança financeira. Quero só sobreviver!
Eu não quero plano de saúde. Quero só saudar a vida!
Eu não quero previdência. O futuro é agora! E que seja livre!
Eu não mais tenho escolha, tornei-me engrenagem por ti.
Por ser fraco...
E se pensas que isso me dignificará em algo eu digo-te:
Não há dignidade comprada com a liberdade.