Phil - & O Bonsai Kitten

Posted: 30 de mai de 2007 by Lux Alt in
6


Phil acordou às sete da manhã em pleno sábado com o barulho chato das teclas do computador de Vinicius. Estava ainda sem apartamento e achou de cobrar uma dívida que tinha com este também desperto se hospedando em sua casa. Não, de modo algum ele tinha mais liberdade lá, mas pelo menos não estava dando satisfações de onde ia e com quem ia como sua mãe sempre procurava saber. Também não estava suportando permanecer ali.

Neste quarto havia uma varanda, e por ela uma mulher alta de cabelos cacheados dourados adentrou antes de Phil se levantar para por sua roupa. Era Safira. Vinicius não demonstrou espanto, que dava a entender que ele a tinha recebido.
— Finalmente acordou dorminhoco! Preciso de sua ajuda, o assunto é sério. — Ela falou.
— Calma gata, deixa eu me vestir pelo menos.
Levantou-se desnudo, pegou um calção azul florido no espelho da cama e pôs sem se importar se Safira estava olhando. Afinal eles se conheciam intimamente. Vinicius olhou de soslaio e notou que estava sobrando. Pediu licença e saiu convidando-os para tomar café.

Safira estava impaciente e andava de um lado para outro apressando Phil. Estava descalça e arrastava um longo vestido azul. Olhava constantemente pela janela. O rapaz estava pronto.
— Do que se trata? Porque a euforia gata?
— Dá pra parar de me chamar de gata!? Alguém invocou Tivilio! Eu estou ferrada! Quero que você me ajude.
— Como? Quem diabos é Tivi...o que? E porque eu tenho que te ajudar?
— Tivilio é um diabo, demônio, ou coisa do tipo. Tem relativo poder. E quer se vingar de mim por eu tê-lo exonerado da terra duma vez anterior. Fui amaldiçoada com uma ridícula elurofobia. Mas só se manifesta quando ele volta a este plano. Por isso sei que ele está por aí.
— Pronto, o que é elurofobia?
— Elurofobia é medo mórbido a gatos. Patético, eu sei.
— E porque você não o enfrenta?
— Porque ele se apresenta em forma de um grande gato preto.... Argh! — Safira se arrepiava cada vez que mencionavam a palavra gato.
— Mas porque eu tenho que te ajudar? — Phil insistiu cínico.
— Você me deve. Eu curei você daquela... sífilis!
— Eu não pedi! Você queria transar e mostrar que sabia mais do meu corpo do que eu. E afinal, era só o tempo voltar...

Phil estava se divertindo vendo Safira ter que se resignar a pedir-lhe um favor. Certamente não pediria a Vinicius, pois este era muito desastrado, o que até poderia complicar a situação dela. Foi Viny o responsabilizado pela descoberta da cabala por meio do tal vampiro, tanto que este mago foi censurado. E teve que ser protegido de si mesmo por um tempo por Phil. Safira não pediria a nenhum outro da cabala para não admitir sua fraqueza. Isso ela odiava. O rapaz bronzeado a sua frente já lhe era íntimo em certos aspectos. Sentiam uma atração mútua e sabia ela que a ajuda dele era negociável.

— Vamos a minha casa, sei que você não está agüentando ficar aqui com este marcado careta. Hospedo-te por um tempo lá. E você me ajuda.
— Ah Safira, faz melhor! — Phil estava pondo um tênis enquanto Safira já perdia a paciência de negociar. Ele queria uma coisa dela e ela sabia.

Quando se envolveram densamente foi num festival de Baco, solicitado por Alex, como uma festa de despedida. Safira usou de sua habilidade de ler e controlar padrões para descobrir coisas a respeito do corpo de Phil. Ela fez basicamente uma leitura dos padrões da vida, do corpo vivo dele. E tendo conhecimento de tais linhas, ela pode moldá-las. Ele sentiu coisas inéditas quando ela o tocou desta maneira. Tendo tal leitura, Safira percebeu uma doença nele e o curou. Com tal habilidade poderia dar doenças também a quem desejar. Claro que esta é uma capacidade e tanto, e era nisto que o rapaz estava interessado.

— Então é assim que vai ser? Este tipo de troca? Você não presta Phil...
Discutiram algum tempo sobre alguns aspectos de habilidades mágikas e como lhes poderia ser útil dividirem tais experiências e ensinamentos. Até que Phil parou e se aproximou com malícia de Safira.
— Miooouuuu – Ele fez por trás ao ouvido dela. E viu-a arrepiar-se mais uma vez.
— Não enche! Eu te ensino como você pode olhar e sentir vida. O resto você se vira.
— Ok, espera eu pegar minhas coisas que vamos pra tua casa! — Phil respondeu triunfante. Pegou sua mochila. — Vamos indo, fala aê sobre esse Tivi...seiláoque.
Saíram pela varanda do segundo andar sem despedir-se de Vinicius. E pegaram um táxi na rua.

Chagaram a charmosa casa de Safira. Situada na periferia da cidade, rodeada de terrenos baldios e de plantas crescendo por toda parte. Só ela conseguia entrar além dos portões sem se arranhar nos espinhos de urtigas e de outras plantas até venenosas a caminho da porta. Claro que também podia fazer com que seus convidados não se arranhassem. Dentro, a casa parecia estar viva. Emanando uma energia aromática de diversas plantas. Havia flores por todas as partes. Gaiolas vazias e muitos vidros com conteúdos indescritíveis por todos os lados. Uma casa lindamente e confortavelmente rústica.

— Bem vindo, você pode por suas coisas ali naquele quarto. E vem ver isso aqui em seguida.
Ela abriu um livro amarelado em cima da mesa mostrando algumas coisas para o rapaz que não fazia a mínima idéia do que tinha que achar. Ele perguntou:
— Espera. Esse bicho, eu acho onde?
— Na verdade, lembrei de sua poodle, ela pode vislumbrar e entender coisas além, como nós e achei que ela faria esta parte. Para Tivilio estar aqui, existe um invocador por trás. Portanto você cuida do tal bicho, e eu acho o que o chamou. Porém, não quero que você o mate, quero que o tranque!
— Como assim? Esse troço não é poderoso não? Como você quer que eu capture?
— Já ouviu falar em bonsai kitten?
— Isso não é lenda urbana não? — Phil retrucou incrédulo.
— Infelizmente não. Mas este será por um ótima causa. Se você estiver com a garrafa certa na hora certa em que achar esse maldito, poderá prendê-lo. Eu terei que derrotar o invocador antes. Assim Tivilio estará sem orientação.
— E que garrafa é essa, onde encontro?
— Espera, já tenho preparada. — Safira foi à cozinha e voltou com uma garrafa estranha, quadrada. — Aqui está. Deve usar quando ele estiver com o rabo na boca da garrafa. Antes que ele perceba sua presença. Não se engane ele pode ser perigoso. Nada comparado àqueles inimigos nossos anteriores, mas traiçoeiro.
— Ok, vou no AP pegar a Larika com minha mãe. Como vou saber que você ferrou o cara lá?
— Eu te aviso, não se preocupe.
— E terei alguma recompensa hoje a noite então? — Ele perguntou provocante.
— Se cumprir sua parte, saberá como funciona algo mais. — Respondeu segurando fortemente o mamilo esquerdo de Phil, o que o fez se contorcer de excitação.

Chegou ao “seu” apartamento e achou tudo a cara da sua mãe. Tudo estava mudado. Ela não estava. Somente seu irmão mais novo, Kenny. Ele nem se importou quando Phil disse que passaria dois dias com Larika. Mas mencionou algo:
— Vai caçar gatos?

Phil ficou um tanto chocado, mas não respondeu. Saiu rapidamente para não morrer de tristeza (para não dizer de raiva) por ver seu apartamento tão modificado!
De algum modo, o mago se comunica com a poodle, tentando lhe transmitir as informações de sua busca. Larika parece entusiasmada por sair de casa! Saltitante e elétrica. Phil passa quase toda a tarde rodando o centro da cidade quando Safira lhe telefona:
— Tivilio está num galpão na Rua Sanlis. Já cuidei do sacana que sacrificou trezentos gatos para trazer esse maldito. Cuidado, não sei ao certo em que galpão.
— Pode deixar, o resto eu faço.

Já era noite quando Phil correu para a Rua Sanlis. Uma rua comercial de muitas lojas e galpões. Mas Larika estava rosnando apontando o galpão nove ao fim da via. Ele a deixou presa num hidrante para poder entrar sozinho e sorrateiramente. Antes de conseguir entrar, sentiu uma forte essência negativa se aproximando. Viu que o enorme gato negro estava saindo desorientado como Safira tinha previsto.
Phil não podia fazer nada. O felino estava se direcionando a poodle transmitindo um som gutural. Não deu tempo de pensar em outra coisa ou se haviam espectadores adormecidos ao redor. Phil fez em si um campo de imunização temporal e deslizou-se para o futuro de seus movimentos, chegando assim atrás do demônio antes que este notasse algo mais. A garrafa já estava à mão. Ao encostar a boca da garrafa na calda do enorme felino, este foi sugado para dentro da garrafa como se nela existisse uma fenda de sucção. Phil tapou rapidamente a garrafa quadrada e a cobriu com um casaco. Agora era um perfeito bonsai kitten (de um demônio). Tivilio, o sacrificador de gatos.

***


Sobre O Bonsai De Phil

O post acima faz parte de um “projeto” no qual um conjunto de escritores se juntou com objetivos “secretos” (talvez dominar o mundo). E produzimos tendo como inspiração básica uma imagem proposta por um destes escritores. Este foi meu conto com mais de 5000 caracteres! Eu não consegui, não queria cortar... tem muito diálogo, o que facilita a leitua, nao passei taaaanto dos 5000 mas aih está! Espero que curtam. Agora eu escolho a imagem neh? Ta combinado?
E os contos continuammmmm.

Outros contos baseados na mesma imagem do gato:

Mari: http://www.bobascoisas.blogspot.com
Elvis: http://www.fotolog.com/fanzineragnarok
Keo: http://keokiro.blogspot.com/
Delbiano: http://oiaki.nafoto.net/
Não deixem de conferir!

Onde Nascem As Sombras

Posted: by Lux Alt in
2

Ouçam essas vidas sendo descartadas...
Como se fossem cartas d’um baralho
Na guerra urbana o objetivo principal é vexar
Mas quem há de curar esses derrotadosss?
Ninguém! Deixemos morrerem...
Renascerão sedentos por miséria, desejando as trevas.
Vamos dormir, pra em sonho tentarmos achar a nascente
Do rio de sombras que inundou as ruas da cidade.

Phil – & Nix

Posted: 28 de mai de 2007 by Lux Alt in
1

Depois de seu despertar, Phil começou a ver o mundo de outro modo. Destarte também passou a observar as pessoas com um olhar mais realista por assim dizer. Não demorou e conheceu outras pessoas como ele, diferentes, despertos. Alex, um antigo amigo de fliperama já conhecia a realidade com a qual Phil começara a se encantar. Eles se reconheceram, mais profundamente. Depois de conversarem bastante sobre seus respectivos conceitos. Dialogaram sobre como a vida precisava de experiências de prazer e paixões. Como a vida era dependente de êxtase e arrebatamento hedonista. Eles se descobriram praticantes de mesmas idéias. Dialogaram que poderiam estar juntos numa jornada hedonista, e assim viajaram para um litoral de liberdade e se permitiram prazeres totalmente, surrealmente novos. Eles formaram um casal de docente e discípulo por bastante tempo. Passaram por aventuras e descobertas como qualquer casal. Inimaginável as descobertas que dois despertos podem fazer juntos. Estes fizeram. Alex ensinou muito do que entendia de tudo e do todo para Phil. Este saiu da casa da mãe e foi morar com seu companheiro e mentor.

Com bastante tempo (o que é totalmente relativo em se tratando destes dois, posto que uma das principais habilidades de sua Tradição é perceber e possivelmente controlar o fluxo temporal) Phil foi apresentado a um outro bando de despertos por Alex. Neste, cada um com uma filosofia e representante de uma outra Tradição. Nem todos foram com a cara do jovem louro que expressava o que pensava com audácia e sem a devida educação com a qual estavam os outros acostumados. Nas reuniões, ele nunca aceitava ordens calado. Ou melhor, não aceitava ordens! Naturalmente Alex adorou causar este tipo de reação em seus companheiros de cabala. Estas pessoas diferentes, artífices da vontade se encontravam numa bela e enorme casa bem localizada que era apoiada por uns magos ricos. (Uns de filosofias herméticas). Possuía uma invejável biblioteca e uma grande nascente de quintessência que brotava de uma fonte ao centro dum pátio no quintal. A quintessência é um dos principais elementos para a tecelagem dos fios da realidade. É com ela que os magos podem criar ou mudar o mundo ao seu modo.

Na época existiam representantes de várias Tradições diferentes. Lá Phil se conluiou com alguns outros conscientes. Fez reais amizades com uns três ou quatro magos. Além de ser conveniente ter companheiros lhe protegendo, eles se ajudavam nos mais diversos assuntos. De despertos ou não. Claro que Phil não se dava bem com todos, ou como ele mesmo dizia, as pessoas é que não agüentam a liberdade dele em seu espaço. Este grupo local se chamou Pax por muito tempo por ser uma cabala de assuntos pacíficos e de estudos. Progrediram bastante em compartilhamento de culturas, idéias e participaram (os mais jovens) de aventuras incríveis. Mas com devidos aparecimentos de pretextos de ação, a cabala deixou de ter tantos adeptos e ajuda. Afinal quem era que iria querer fazer parte de um grupo de status ascendente? Você talvez pense, todos. Mas este status fora conquistado com a destruição de planos (para não mencionar seres) de organizações e seitas poderosas. Inimigos naturais dos despertos.

Os mais jovens, os que sempre cumpriam as tarefas de interesse da cabala passaram a reivindicar sua autonomia e autoridade. Culminou de outros eventos porem a casa em perigo, no caso foi porque o abrigo foi descoberto por um poderosíssimo vampiro. Isso mesmo, vampiros existem! E não são criaturas confiáveis em nenhuma hipótese. Tiveram que abandonar o local. Porém, os neófitos da cabala deram um jeito de destruir este ser tão influente. O caso lhes trouxe mais status, tanto dentre os despertos quanto noutras sociedades obscuras. Phil estava entre estes empreiteiros de sabotagem vampírica. Daí a cabala mudou totalmente de autoridade e princípios.
Alguns se recusaram a continuar fazendo parte de um bando que começava a se assemelhar com caçadores. Não permaneceram tantos componentes. Posteriormente o nome foi mudado para Nix. Mais em homenagem a um de seus ex-companheiros. Que foi capturado, encarcerado e provavelmente exterminado por um grupo de tecnoaberrações. A cabala ainda o procura.

Nix estava agora com seis integrantes. Os responsáveis pelo crescente e perigoso status. Dos seis cada qual é representante de uma determinada Tradição. Dominadores, ou aprendizes de artes e filosofias diferentes. Phil um hedonista, Safira uma bruxa ambientalista, P!@y um cyberpunk, George Jones um mago hermético, Damon um experiente filósofo da mortalidade, e Nanami uma praticante das artes orientais de mágika. Os demais foram para outras cabalas ou tomaram outros destinos mais obscuros. Alex também partiu, não por motivos de grupo, mas por motivos pessoais.

Nix mantém uma rede de informações com outros magos de outros grupos, e no que diz respeito à ascensão ou guerra este agrupamento serve mais para proteção mútua do que para uma real evolução de interesses. Quando precisam de ajuda, eles sempre se procuram. Claro que sempre ficam se devendo favores, mesmo em se tratando de companheiros de cabala. O objetivo destes magos é tão somente viver suas vidas em busca de uma ascensão de cunho pessoal. O que as vezes provoca a ira de quem não aceita tal liberdade pessoal de idéias. Ou seja, quase todas as outras partes da guerra da ascensão e ainda das Tradições.

Phil não se importa muito com esta fervorosa e inevitável guerra, ele pensa que a ascensão só será alcançada quando ele provar de todos os prazeres que este mundo (e outros) pode lhe proporcionar. Ele só será ele completamente quando for um Lorde Hedonista. Que além de ter provado de tantos prazeres poderá transpor-los a quem desejar. O objetivo desta cabala é de manter a independência destes tipos de ideais filosóficos. Portanto os demais componentes de Nix tem suas próprias idéias de ascensão.









Phil é um personagem criado por mim, e tem origem própria, porém estes novos contos protagonizados por ele são inspirados e ou baseados(em temáticas) do livro "Mago: A Ascensão", um manual de RPG. Se estiveres confuso quanto a denominações ou curioso quanto a idéia dum Mago como ele, esta pagina é bem explicativa: http://paginas.terra.com.br/lazer/magehome/

Phil - Um Desperto

Posted: 25 de mai de 2007 by Lux Alt in
2

Este é um momento de drásticas intrusões de seres de mundos escondidos que teimam brotar na cidade (para não dizer em toda a terra). Existem vários componentes de uma guerra que é travada às sombras além da imaginação e das consciências deste mundo. Falar de um único mundo é complicado quando o conceito de realidade pragmática atravessa o véu da coerência e quem acredita num plano estático é quem é considerado adormecido. A realidade é ampla demais para que possa ser configurada de modo verbal, intelectual, concreta ou mental. Talvez todos os conceitos do que é o mundo para os despertos só caibam em simbologias oníricas. Talvez você esteja preso demais ao seu sono para acreditar que a realidade possa ser desfiada e dela os despertos possam fazer suas vestes e acessórios. Talvez você não entenda que a vida pode não passar do sonho da borboleta que sonhava que era homem. E é este tipo de sonho dogmático que torna a coisa estéril.
As cidades são sujas, os habitantes delas também. Viver nestes aspectos é uma tortura passiva a qual a humanidade se acostumou. O planeta está escuro e agoniza por uma liberdade deste pesadelo tóxico chamado humano. A vida da maioria das pessoas não passa uma engrenagem enferrujada pedindo para ser aposentada. Pedindo para acordar também deste letargo está você. Mas talvez você nunca desperte.

Phil porém acredita que a vida não pode ser só o que tocamos, sonhamos e vemos. Apesar de o toque ser um fator importante para sentir-se a realidade. Ele acredita que o que pode ser imaginado é já uma realidade. E se a imaginação dele é, a realidade criada também lhe pertence. Não de modo egoísta, mas como algum produto de seu ego. Phil é um aprendiz nas metodologias do hedonismo. Sua crença baseia-se na superação de limites de proporções prazerosas. Os sentidos corpóreos humanos são limitados, portanto ele tende a ascensão deste estado cativo de todas as formas imagináveis que se pode ter em relação a prisão, principalmente no que diz respeito a relatividade e dependência ao tempo.

Sua consciência é sua companheira, sua carruagem, sua arma, seu espelho. Ela é o elemento chave de mudança, a extensão das idéias que Phil tem como ideal. E mesmo tendo completa consciência de que é ele quem controla a consciência, esta constantemente lhe prega peças desintegrando a composição de sonho. Não tão dificilmente ele controla, e ou é controlado e ou compartilha de juízos com a borboleta de seus sonhos. A centelha da fantasia é o limite das possibilidades de mudanças. Ele sente seu ego em chamas abrasivas. Phil é um desperto.

Amálgama

Posted: 20 de mai de 2007 by Lux Alt in
1

Gelo, solidão congelada, realidade sentimental.
Profundeza cândida, celeste, descomunal.
Tudo, menos alguma coisa que seja real...

Por Lucas Altamar & Pati Hannah

Inimigo Meu

Posted: by Lux Alt in
0

Poderia ser tão diferente
Um mundo cor-de-rosa
Ou quem sabe de toda cor
As cores do mundo, de uma... ah...
Tez mais suave
Ah azul celestial, cor de chuva
Vivo e vivemos entre nós mesmos
Vagando pelas sombras do medo
Um medo cinza escuro
Que mancha a existência
Que nos purga de nossos “pecados”
Afligindo-nos até as profundezas da alma
Ojeriza, perturba e nos embala
Simultaneamente
Inimigo meu, inimigo vosso
Eu, você, inimigos nossos
Bestas ocultadas, mascaradas
Como dói, é repugnante
Sou vosso inimigo e vós, os meus
Amargo sentimento, cruel verdade
Que embriaga meu e seu viver
Inimigos uns dos outros
Mas poderia ser diferente... ou ainda pode?

Por Ribamar Bezerra


Os Perdidos

Posted: 19 de mai de 2007 by Lux Alt in
2

Escorpiões nos braços, nas pernas,
O chão quente, o calor pode ser corpóreo...
Subindo pelo corpo em tatuagens significativas...
Sempre na busca de uma possível realização de execração da infelicidade.
Então, mesmo tendo as mãos suadas do medo da possível resposta...
Sou eu quem pergunta agora qual caminho devemos tomar entre o labirinto de espelhos?
Devemos mesmo continuar juntos?
Por favor, não mais hoje. Quero tomar um banho.

TERRITÓRIO

Posted: 18 de mai de 2007 by Lux Alt in
0

Dias de sobressaltos dentro da web.
O dáblio, dáblio, dáblio
perseguido por um anônimo nõmade
nas páginas
que se multiplicam
e somem
e se multiplicam.

Flores digitais,
silhuetas em 3 D
de um corpo nu flamejante.
Uma segunda vida
no território deste vídeo
crepitando de azul.

Dias de solidão dentro da Web.
Onde estarei
quando o anjo de cristal
beijar a fronte insone?

Por Tom(http://paredesteto.blogspot.com/)

Phil & O Apartamento

Posted: 16 de mai de 2007 by Lux Alt in
7





















Phil acabara de sair do ótimo apartamento que alugara anteriormente com seu antigo companheiro, Alex. Este agora tinha partido para algum lugar desconhecido pela maioria dos colegas da cidade. Mas pelo menos ele sabia que havia partido por vontade e própria, não havia sido deportado para outra dimensão.

Deixara seu apartamento bem situado no centro que abaixo mantinha um playtime, porque sua mãe estava passando umas férias forçadas lá. Ele se sentia culpado de alguma forma por a casa dela ter sido explodida num show de fogos de artifício e luzes de um mundo distante da consciência mundana. Motivo? Por um descuido, ele atraíra para casa dela um dragoa grávida e lá no jardim ao pé do ipê amarelo ela pôs seus ovos. Os dragões neste plano nao podem representar sua forma como realmente é (Asas escamas e tudo o mais) portanto... o caso é que esta dragoa era humanamente linda... alta, com belos olhos púrpura. este era um detalhe que denunciava algo de incomum, mas não de anormal.

Os homens de preto perceberam algo de errado ali. A tal dragoa contava com o sufrágio de um amigo artífice do caos. Daí quando se encontraram entidades tão devastadoras causaram uma luta sem precedentes. Os tecnocratas tiveram dificuldades em explicar ou apagar da mente dos telespectadores. E entre eles estava a mãe de Phil. Digamos que ela enlouqueceu (mais). Só apagando mesmo a memória dela. Afinal não há como explicar coisa assim a uma descrente. O fato é que com ela na mesma casa que ele não tinha a mínima liberdade de rotina, o que incluía sexo, festas, drogas e tudo o que lhe dava prazer. O que havia dado o maior impulso na hora de sair da casa dela.

O fato é que ele não deixaria o AP para ela de vez. Era temporário enquanto ainda não lhe pagavam a indenização, pelo ao que os responsáveis nomearam de reforma de emergência por causa de obras de metrô. Phil não poderia deixar ela e seu irmãozinho as vistas dos tecnocratas. Teve que os acolher. Tentariam lavar os cérebros de ambos. Isso não é bom pra ninguém.

Ele saiu pra procurar apartamento. Um jornal de classificados lhe voou na cara. Um anúncio de AP lhe chamou a atenção. Perto duma praça. Era de um quarto bem barato que dava de frente para a tal praça. O estranho é que na realidade não entendia porque aquele quarto era tão em conta e estava disponível tão bem localizado. Foi visitá-lo na tarde de sábado. Pegou um ônibus e chegou na hora marcada. O que era relativamente comum depois de ter se familiarizado completamente com o tempo, depois de entendê-lo. Já nem usava relógio.

Entrou no prédio, passando por uma porta que fez barulho. Um senhor com traços orientais engraçado abriu uma porta de um quarto ao lado. E foi logo chamando Phil com a mão.
— Entra aqui rapaz! — Phil entrou.
— Eu vim por causa do anuncio do quarto.
O senhor estava procurando alguma coisa. E em seguida voltou-se para Phil e lhe deu uma chave.
— Você é o quinto esta semana. Você não vai nem querer entrar... Mas você conhece algo a mais. Sobe. É no quarto andar. Só há o quarto lá. Não tem como errar. A outra porta dá para o terraço, tá fechada, é melhor ficar longe. E não roube nada seu louro maconheiro!

O senhor falou com uma seriedade cômica. Phil nem se insultou, até porque o senhor estava certo num aspecto. Talvez Phil ainda cheirasse a erva que fumara pela manhã. O senhor abriu aporta e ele saiu. Subiu os dois primeiros andares em longas passadas de dois em dois degraus. E pensou como seria quando estivesse chegando à madrugada fazendo barulho. Mas pôs na cabeça que não permaneceria ali por muito tempo. Era só sua mãe esquecer algumas coisas. Continuou subindo e um pensamento lhe veio do nada: “a escada está ontem”. Agora sim estava intrigado.

Phil se aproximou do primeiro degrau do ultimo lance. A partir dali só teria o tal quarto. Quando pisou sentiu uma força impulsora o empurrar pra trás. O que certamente só aconteceu a ele por entender o que poderia ser aquela distorção de realidade. Ele continuou, conhecia aquela energia. Mas desejou não estar sozinho na metade dos trinta degraus que lhe separavam da saída. Repentinamente o espaço ao seu redor pareceu dividir-se. Para lados opostos. Imediatamente sentiu o poder familiar. Era uma essência do tempo. Aquela escada estava concentrando um fluxo instável de tempo passado e futuro. Algo que provavelmente havia sido causado por algum descuidado com o paradoxo. Não havia outra coisa a ser feita. Phil teria que absorve-lo. E o fez.

Por um instante, que pode ter sido longuíssimo dependendo do conceito temporal usado o rapaz ficou ali caído na escada com suas tatuagens de lua e sol em chamas. Sua lua sabia de todo o passado daquele lugar, e seu sol saberia do futuro. Este lhe revelou que o novo inquilino não seria ele, mas um dragão se instalaria ali. Phil desistiu de ver o quarto. Deixaria mesmo o lugar agora limpo de tempo para ele. Não teria a mínima chance contra. Quando desceu o senhor esperava com um sorriso.
— Não vou querer ficar com o quarto velhinho.
— Obrigado meu filho, agora posso voltar a morar em meu quarto! Devo-lhe um grande favor. Quando precisar limpar a mente me procure.

Phil pensou em sua mãe. Poderia voltar a seu apartamento!




Sobre A Escada De Phil
O post acima faz parte de um “projeto” no qual um conjunto de escritores se juntou com objetivos “secretos” (talvez dominar o mundo). E produzimos tendo como inspiração básica uma imagem proposta por um destes escritores. Este foi meu continho com menos de 5000 caracteres! Eu consegui, apesar de que tive que cortar uns quatro personagens... mas aih está! Eu respeitei a proposta inicial viu! Espero que curtam. Depois da Mari eu escolho a imagem ok! Ta combinado?
E os contos continuammmmm.

Outros contos baseados na mesma imagem da escada do conto acima são:
Mari: http://www.coisasbobas.bigblogger.com.br
Bel: http://www.fotolog.com/my_song
Elvis: http://www.fotolog.com/fanzineragnarok
Gilvan: http://www.fotolog.com/dreamcastle

Não deixem de conferir!

A imagem abaixo eh uma personificação de uma surrealização de como ficaria a escada mais detonada com a essência do conto.

Consciência

Posted: 14 de mai de 2007 by Lux Alt in
0

Visão – mais um sentido defeituoso.
Qualquer que seja o caminho da salvação,
Muitos se precipitam à corrida rumo à união.
Utopia!
Ao mundo escondido há uma visão global.
Epifania!
Amor & Ódio – qual o sentimento mais real?
O controle das massas é feito através da alegria.
Aluguel mental...
Orgia convencional – qual a sintonia?
Fora do ar... arrr... arrr...
Silêncio pra respirar!
Essa unidade fortalece o paradigma.
Consciência alheia à ameaçar
À caçar sem camuflar o eterno enigma
Que é: como amar sem o ódio expressar.

Por Christian Vlautin(chris_vlautin@hotmail.com)

Destrono (uma acaba, outra começa)

Posted: 13 de mai de 2007 by Lux Alt in
1

Sonhei
Fantasiei
Te tive
Te tenho
Te terei
Te tomo
Te como
Me comes
Com olhar
Com bocas
Com dedos
Com línguas
Com pênis
e vaginas
Com que tenho
pois nada
me fascina.
e pra ser sincero!
não me quero.

Por Onã

Necessidades

Posted: 11 de mai de 2007 by Lux Alt in
2

Necessito do atual ter certa distância,
Remetendo-me ao meu tempo de infância.
Época em que de tudo tinha medo
E, no meu diário, escrevia cada segredo.

Necessito de um instante para adormecer,
Aquietando-me para o próximo alvorecer.
Ocasião em que não possuirei mais ferida
E, onde estiver, tentarei seguir com a vida.

Necessito de um período fora de mim,
Colocando-me mais perto do meu fim.
Momento em que não me encontrarei só
E, num jardim de delírios, voltarei a ser pó.

Por Pati Hannah

Delirium Tremens

Posted: by Lux Alt in
0

Os amores e as dores que nos formam,
Critérios que nos fazem seres humanos,
Defeituosos!
O ventre que chora pelo último suspiro de um condenado,
Fazendo com que o caos aconteça em algum lugar do sistema.
Gosto de lágrimas e odor de esperma,
É todo o pagamento para quem se sente livre. Livre? Agora não mais!
Mas...
Quanto tempo perderemos sendo ganho um minuto a mais?
Destruí de mim toda a esperança e felicidade, pois nunca as vi!
E não creio em nada que não possa sentir e nem cheirar.

Por Sheyla C. (sheylamalami@hotmail.com)

Rotulando Loucura

Posted: 9 de mai de 2007 by Lux Alt in
0

O que sinto das pessoas e do mundo são apenas aparências! Fingem ser o que não são... pra quê? Agradar os outros? E você como fica? Passar por cima do que é, de sua essência... se é que você sabe quem ou que você é! Já parou para pensar em quem você é, o que você quer? Eu já. Sou isso que vê... você consegue me enxergar? Imagino que você ache isso tudo loucura. Assumir quem você é, sem medo do que os ‘outros’ vão falar é loucura? Se for assim, me “rotule” de louca! Deboche, critique, me imponha regras e aponte meus defeitos!! Isso não me atinge, apenas faz de você uma pessoa fútil. Você não (me) entende... isso porque você não vê a realidade, só fantasia seu ‘mundinho’ de futilidades! Atitude e loucura é o que precisamos para enfrentar todo esse lixo! Ser louco é apenas não ter medo de fazer o que quer...

Por Talita Oliveira

Lendas Do Canto Do Quarto

Posted: 5 de mai de 2007 by Lux Alt in
0

Eu sonhei que o sonho era a realidade
E ao tocar com os lábios as asas da foice sangrada,
Despertei do pesadelo de acordar.

No roçar dos nossos corpos
Agora só em imaginação.
E no virar do teu corpo vamos cavalgar! Para o além...

A saudade é calculada e disso sempre corremos, corremos!
A única diferença entre um capricho e uma paixão eterna,
A configuração de um amanhã sem mais sonhos de realidade.

Renova-se na vida diacrônica a impossibilidade do surreal,
De uma solidão serenamente inominável.


Tresvario

Posted: by Lux Alt in
0

Suspiros de um não-lugar.
Águas imundas degeladas pela orgia.
Desejos espirrados com o pólen da orquídea.

Carne Fresca

Posted: by Lux Alt in
0

Estava eu sozinho num daqueles bares de sempre...
Que me fazem companhia em minha solidão.
Repentinamente deparei-me novamente
Com o olhar insistente daquele homem de preto.
Aparentemente sem expressão.
Eu queria tanto que tivesse uma expressão...
Estava fumando um cigarro longo
Que aparentemente não acabava nunca.
Era tão sexy como expelia a fumaça pelas narinas...
Ah imaginar que ele estava me observando
Dava-me água na boca ao ver suas veias, seus ossos...
Dava vontade de continuar naquele antro
De música e pessoas insuportáveis.
Depois de beber meu blood-mary de um só gole...
Chamei-o com o olhar apontando para a saída.
Ele se aproximou como quem não queria nada.
Fiquei entusiasmado com sua instantânea resposta.
Sabia que tinha me percebido... Sabia!
Eu já o tinha avistado de longe, diria a quilômetros.
O céu parece ter mudado de cor, de tonalidade.
Seria uma conquista e tanto em minha coleção...
As pessoas que nos rodeavam simplesmente
Desapareceram no que realmente antes parecia
Não mais existir ou ter significado.
Agora eu teria um alguém...
Mais um alguém em minha cama. Em meu âmago.
Ah eu abriria ele em dois. Partiria em quatro, cinco, seis.
Seus músculos de nada valeriam não contra mim.
Depois de tomar uma dose do meu veneno.
Ele seria meu! Todos os seus órgãos...
Ele saberia que quem manda não é o maior.
Mas quem é mais esperto. E foi isso o que ele me falou:
–Você além de bonito é inteligente.
Ah eu fui ao delírio e beijei-o ali mesmo. Sem me importar!
Mas repentinamente ele separou-se de mim,
Ao mesmo tempo em que senti em meu punho algo gelado.
Algemas. Ah eu cai nesta?
–Você está preso seu canibal pervertido!
Fácil demais para ser verdade...

Fim De Rave

Posted: by Lux Alt in
0

Não mais vivamos estas mentiras mascaradas com orgulho.
Dar-te-ei minha consciência para que tu sejas mais eu.
Não mais cacemos utopias pelo mundo do delírio de entulho,
Enlouqueçamos do nosso barulho antes mesmo de saber que o sol nasceu.

Aniversário Sem Resposta

Posted: by Lux Alt in
0

Eu queria ter te ajudado a me amar. Simples assim.
Mas, quem questionar a simplicidade de um problema
Complica a realidade ao ponto de se perder nos contornos da não-razão.

Queria ter tido coragem de saltar no horizonte incerto.
Mas a responsabilidade de nunca ter para onde levar
A miséria do existir, sempre me traz aqui para teu lado.
Isto se torna insuportável depois de se auto-intitular o independente.

Eu queria ter sido mais real quanto minhas propostas,
Sem questionar a incerteza de um amanhã,
Como viver sem o medo social da improbabilidade de esperar?

Queria ter tido de ti a certeza de que tudo estaria bem,
Mesmo sabendo que a certeza me prostraria a inconsciência de ser real.
E quem pode garantir o que futuro será? Quem?

Eu queria agora estar aos beijos com sabor de bolo,
Queria ter tido a oportunidade de saber do mundo teu.
Eu queria ter sido o pior intruso na tua intimidade,
Eu queria não ter mentido para mim mesmo, por egoísmo.
Eu desisti antes mesmo de tentar ser o teu presente de aniversário.
Com medo de ser o brinquedo rejeitado depois da festa.


Mundo Selvagem

Posted: by Lux Alt in Marcadores: , , ,
0

Quanto mais tentamos achar essa saída para ter o ar...
Achamos que não há mesmo um lugar à manchar.
Talvez seja básico demais saber de onde e para onde iremos,
Mas a questão é mais ampla do que nós sonhamos,
Quando se olha o túnel de fumaça... Ainda nos queimamos.

Quanto mais tentamos sobriver nesta selva, falhamos,
É que parecem obliterar-se mais nossas defesas.
Nosso ar vai sendo corrompido para não mais haver.
Como num conceito de divina destruição. Sem poder.
Como se nisto houvesse algum alienado lado relativo contraposto.

Não há racionalidade quando a razão é posta como tortura,
E é mais uma espécie em extinção presa no zoológico da loucura.

Fugitivo do Código de Barras

Posted: 4 de mai de 2007 by Lux Alt in
0

O homem faz o seu próprio mundo
Seu espaço no tempo, seu tempo no espaço
Iniciando-se em esferas de conceito imundo
Jogando com a etiqueta do passo a passo,
E eu aqui não sei o que faço.

O homem provoca a destruição do horizonte
E quando todos os sensores ficam zunindo
Ele vem com a idéia de uma eterna ponte
Com outras películas de realidade se fundindo
E eu aqui fico só assistindo.

O homem quer morrer... e matar
Transformando-se em combustível
O homem quer perder... e ganhar
A guerra mais previsível
As máquinas agora estão no poder! E é irreversível!

O homem criou pra depois se lamentar
O efeito não estava na bula de montagem
A liberdade também dá direito a matar,
Essa foi a maior essencial engrenagem
E eu aqui na Lua estou em vantagem
E ficarei aqui a cantar...

Por Christian Vlautin(chris_vlautin@hotmail.com)

(...)

Posted: by Lux Alt in
0

A imagem do espelho não mais dá conta da imensidão da idade escondida por ascos. Contorções reprovadoras rejeitam a decisão de permanecer entre paredes apagadas pela possível luminosidade. Foi necessário se levantar. Andar. Carregar seu corpo curvado para frente como se fosse se jogar num fosso. Roupas limpas, banho tomado, mas aparência suja, suada, como se gotejasse um desespero gorduroso descuidado. Será que ainda dá tempo de se recolher entre cobertas? Não, já existe alguém empurrando as escolhas e guiando pés para o outro lado da porta. A porta jogada contra o batente. O sol espanca desprotegidos numa ironia sem tom.
Momentos infinitos morando em cada segundo de permanência. Não é tão longe. Para onde vai? Uma árvore cheia de espinhos atrai facilmente o olhar, mas não pode ser observada com cuidado, apenas avistada de longe na correria de montanhas orgânicas desprovidas de fim.
Os pensamentos medrosos abandonam seu lar, numa fuga tímida para de trás dos raivosos xingamentos. Estampas queimadas destroem qualquer necessidade. Amargura na voz, doce melancolia dançante entre vinis quebrados, se repetindo incessantemente, se modificando em contradições compreensivas. Não tão compreensivas. Para falar a verdade, nem ao menos inteligíveis. Os sapatos furados se afundam em poças de água contaminadas para procurar panos imundos secos.
Inquietações internas chegando a um ápice louco perfurante consumindo cada fibra cada ligamento cada respiração cada pulsar. Todas as certezas borbulhando no compasso da merda fedorenta do desarranjo de uma criança. Não se sabe mais para onde se pode voltar cortar e delirar.
Essas dores latejantes sempre vomitam dentro de mim seu ódio por mim. Urros perseguem esse vômito atrás de explicações, mas elas não existem, não penetram suficientemente a superfície de mármore. A proteção de barras de ferro quente deixa lembranças e fotos em pedaços num odor de árvores caídas na negação.
Não é tão longe. Para onde vai mesmo? Observando os passos, um depois do outro, meio tortos com veias saltando. Carros passam, apertando o ar e esgotando os tímpanos. Nada mais se fere. Há vacinas contra sentimentos humanos, deve-se eliminar as provas de sua existência, não há recebimento.
Amarguradas botas nossas sujas e surradas num canto da curva da parede.

Por Ana Bia(amelie_delioncourt@yahoo.com.br)

Lembranças Sob Minha Pele

Posted: 1 de mai de 2007 by Lux Alt in
3

Não quero despertar novamente neste engradado frio. Minha pele está se adaptando... A este ácido maldito! E isto não é nenhuma metáfora, de seus poetas idólatras! Isto é real! A dor me apaga a cada instante causticante. Causticante!
Eu não mais lembro do prisma iluminado de como era a aurora de cada ensejo matinal. Da certeza que tinha que dormiria e despertaria livre. Com meu ar, meu corpo, minha mente, meu raciocínio de que a vida é para ser vivida em liberdade. (Você concorda comigo agora? Não me faça rir com esta dor...) E tenho certeza que não lembro, pois não consigo configurar as lembranças das quais agora só tenho as palavras para mencionar não mais recordar da sensação.
Não mais sei exatamente onde nasci... Se “não mais” significasse que algum dia já tenha sabido é porque eu possivelmente tenha esquecido agora. Isso não significa mais nada. Sei que não foi aqui. Disto estou completamente certo. Mas vocês pensam que posso ser adaptável a este espaço. Se é que isto pode ser chamado de espaço. Não sou como a água correndo para formar seu infinito esgoto. Como sua fumaça de cigarro na atmosfera e em seus pulmões... Como a Natureza brutal. Não, eu sou mais fraco, fraco neste aspecto, admito.
Sempre neguei saber qual era minha real origem. Eu nunca precisei, não senti a necessidade de sair de meu curso vital. Agora, mesmo querendo não consigo inibir a sensação chata de tempo e espaço de minha própria relatividade memorial. O que me custa caro para ignorar o que tenha vivido ou esteja vivendo. Tanto segui ignorando todos estes conceitos, simplesmente por nunca ter necessitado parar de seguir. Agora, tão agora ter que pensar... E ter que pensar que sem a memória passada o agora é só dor... É sádico! É só infeliz.
Tão logo descobri que não havia nenhuma sereia gritante (era um respirador na jaula), gênio, fada ou mesmo um pecador pegador de maçãs e serpentes. Isso é filosofia barata de massas para corromper e dominar inquestionavelmente mentes de insetos socialmente resistentes como baratas e como vocês! Tudo isso para mim configura-se como algum elemento desta cela.
Quando decidiram me desarraigar de minha vida no meio daquela floresta para me enfiarem aparelhos na cabeça, nessa jaula inóspita, sabia que teria que enfrentar a torrente alienada tecnocrata. Sabia que teria que mostrar que pensam que pensam e sabem demais sobre o que a vida é e como tudo funciona. Eu tive que me resignar a uma força covardemente fascista.
Achavam que eu não sabia o que era tecnologia e como tais organismos luminosos funcionavam... Tão simples como o nascimento de uma árvore e seu crescimento. Incluindo toda a carga de suas vantagens e elementos no espaço. Parece muito óbvio saber como uma faia funciona? Tente compará-la ao sistema de controle remoto que já conheces. Qual a função dele no espaço e no tempo? E de uma criatura como eu? E agora não faz tanta diferença como se um controle fosse jogado esquecidamente nas profundezas duma floresta. Minha casa... Eu fui trazido para cá.
Ah eu teria reagido mais se tivesse percebido que não poderia morrer. Que não mais sentiria o cheiro do musgo nas raízes da minha manhã, não mais ouviria o som das folhas caírem, não mais seria o bestial que eu fora. Livre de conceitos de animalidade. Que eu não mais lembro além das palavras.
Uma coisa é simples para que todos nós entendamos: dor é dor, liberdade é liberdade de qualquer modo, em qualquer lugar.
Sei que nunca mais poderei sentir meu corpo coçar nos galhos das árvores, pois não haverá mais um corpo quando seu prazer findar. (Ou seja, nunca.) simplesmente para você poder testar em minha pele um ácido para limpar tanques de automóveis. Sabendo que em qualquer pele ele seria o que é. Então, mesmo com tanta dor impotente eu ainda teimo em questionar quem é irracional.